O novo CEO da B3, Christian Egan, começa a apresentar os planos para fortalecer a bolsa brasileira diante do avanço de concorrentes. Após passar três meses ouvindo clientes, investidores e agentes reguladores, Egan prioriza a simplificação da companhia, a modernização tecnológica e o desenvolvimento de produtos.
O BTG Pactual afirma que o executivo iniciou a gestão com foco nas pressões competitivas e em iniciativas voltadas à experiência do cliente, à tecnologia e à oferta de produtos. Para o banco, uma estrutura mais simples pode permitir respostas mais rápidas às demandas dos clientes, a novas regulamentações e à concorrência.
A B3 operou praticamente sozinha nos últimos anos, desde a fusão entre BM&FBovespa e Cetip, em 2017. Esse cenário muda com a BEE4, voltada a pequenas e médias empresas, a A5X, de derivativos, a CSD BR e a Base Exchange, projeto apoiado pelo Mubadala Capital. A BEE4 já está em operação; as demais devem ser lançadas no médio prazo.
Em junho deste ano, a Superintendência-Geral do Cade recomendou a condenação da B3 por práticas anticoncorrenciais. O órgão citou políticas comerciais que teriam dificultado o avanço de outras companhias e obstáculos à interoperabilidade entre infraestruturas de mercado. A decisão final cabe ao tribunal do Cade.
Tecnologia e novos produtos
Entre as prioridades da B3 está a modernização da plataforma de clearing, considerada pela diretoria um sistema legado, pesado e complexo. A empresa também redesenha a infraestrutura de aluguel de ações ou ativos e discute com o Banco Central a ampliação dos ativos disponíveis para empréstimo.
Os clientes navegam atualmente entre 45 plataformas digitais, com precificações diferentes. Para revisar essa estrutura, a B3 contratou a consultoria McKinsey, segundo o BTG.
A empresa deve desacelerar o lançamento de produtos para concentrar gastos na modernização de sistemas e na experiência dos clientes. Em 2025, foram 25 lançamentos. Para 2026 e 2027, a previsão é de cerca de 20 novos produtos.
Os ETFs estão entre as frentes de crescimento. Eles representam 10% do volume negociado diariamente, mas respondem por 1% dos ativos sob gestão. ETFs alavancados e mercados de previsão ligados a resultados macroeconômicos e financeiros também estão na agenda.
O BTG mantém recomendação neutra para as ações da B3, com preço-alvo de R$ 19 e potencial de retorno de 7,6% em um ano. O banco avalia que, se Egan executar os planos e entregar resultados, a empresa pode deixar de depender apenas da trajetória dos juros.



