O Manchester United soma quatro pontos em quatro jogos da nova temporada da Premier League, com uma vitória, uma derrota e um empate, e vê crescerem as dúvidas sobre o trabalho de Michael Carrick. A equipe também perdeu para o Hull City e empatou por 2 a 2 com o Everton, depois de liderar duas vezes e sofrer o empate nos minutos finais.
Na temporada passada, Carrick levou o United da 15ª colocação ao terceiro lugar em 17 jogos. O time conquistou 39 pontos nesse período, o maior número da Inglaterra, em um cenário de calendário livre: o clube não disputava competições europeias, já havia deixado as copas e podia concentrar a preparação no Campeonato Inglês.
“Quatro pontos em quatro jogos está abaixo do esperado”, disse Carrick após o clássico.
Dificuldade para propor o jogo
A principal dúvida tática aparece quando o United precisa controlar a partida e atacar uma defesa fechada. Contra o Manchester City, a equipe jogou por 67 minutos com vantagem numérica, após a expulsão de Phil Foden aos 23 minutos, mas registrou apenas três finalizações nesse período. O City venceu por 1 a 0, mesmo com um jogador a menos.
O United mostrou mais dificuldade para criar espaços, movimentar-se às costas da defesa e dar amplitude ao ataque. A equipe é mais eficiente em partidas abertas, nas quais pode explorar os contra-ataques, mas encontra problemas quando precisa tomar a iniciativa.
Vantagens que não são protegidas
O empate com o Everton reforçou outra fragilidade. Bryan Mbeumo e Benjamin Sesko marcaram para o United, que abriu vantagem em duas ocasiões, mas permitiu a reação nos minutos finais. O time recuou, perdeu organização defensiva e não conseguiu controlar a pressão adversária.
A dificuldade de administrar resultados também apareceu na temporada passada. O padrão levanta dúvidas sobre as substituições, a postura da equipe e a clareza das orientações durante os minutos decisivos.
Um calendário mais exigente
A situação também muda com o retorno da Champions League em 2026-27. O United venceu o Sabah por 4 a 0 no meio de semana, mas o resultado positivo foi seguido pela derrota no dérbi. A equipe terá mais de 20 jogos adicionais em relação ao cenário administrado por Carrick na temporada passada.
Rodízio, profundidade do elenco e controle da carga física passam a ter peso semelhante ao das decisões táticas. Youri Tielemans e Andrey Santos chegaram para ajudar no meio-campo e já apresentaram momentos de qualidade, mas ainda existem dúvidas sobre a capacidade do grupo de manter o desempenho em várias competições.
Bruno Fernandes continua sendo a principal referência criativa do time e também participa, em alguns momentos, das fragilidades estruturais que Carrick ainda não solucionou. Na temporada passada, o treinador conseguiu contornar esses problemas em um contexto mais favorável.
Quatro jogos ainda representam uma amostra pequena para conclusões definitivas, e o elenco mantém talento. Os sinais de alerta, porém, envolvem identidade tática, administração das partidas, dependência de um jogador e profundidade para enfrentar um calendário acumulado. A reação da temporada passada aconteceu, mas ainda não está claro se pode ser repetida.



