Felipe Camarão, vice-governador do Maranhão e candidato do PT ao governo estadual, defende que Flávio Dino dispute a Presidência da República depois de deixar o Supremo Tribunal Federal (STF). Ex-secretário e ex-aluno do ministro, Camarão diz que Dino deve voltar à política ao concluir sua atuação na Corte.
A declaração foi dada em entrevista publicada neste domingo (20). Camarão também falou sobre o rompimento com o governador Carlos Brandão (MDB), a disputa pelo governo do Maranhão e as acusações de interferência política relacionadas a processos sob relatoria de Dino no STF.
“O Flávio é uma joia da República que tem que ser preservada”, afirmou Camarão. Ele atribui ao ministro parte de sua formação política e destaca trajetórias profissionais semelhantes: Dino foi juiz federal e professor de Direito da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), enquanto Camarão é procurador federal e também lecionou na instituição.
Entre 2015 e 2022, Camarão ocupou as secretarias de Gestão e Previdência, Cultura, Governo e Educação durante os governos de Dino. O ministro deixou o governo estadual, foi eleito senador em 2022, licenciou-se do mandato para assumir o Ministério da Justiça no governo Lula e depois foi indicado por Lula ao STF.
Racha político no Maranhão
A aliança entre os grupos se desfez depois que Brandão, antigo vice de Dino e seu sucessor no Palácio dos Leões, rompeu com a ala ligada ao ex-governador. A divisão se aprofundou no fim de 2024. Camarão deixou a Secretaria de Educação para coordenar a campanha de Duarte Jr. à Prefeitura de São Luís e não voltou ao cargo.
A disputa chegou aos tribunais. Processos relacionados à política maranhense passaram a tramitar sob a relatoria de Dino, o que levou aliados de Brandão a questionarem sua atuação. O ministro e seus aliados rejeitam a acusação de interferência política. Camarão afirma não haver motivo para que Dino se declare suspeito nesses casos.
Desde o rompimento, Camarão afirma ter perdido espaço no governo. Embora continue formalmente como vice-governador e more na residência oficial, diz não exercer funções na gestão. Segundo ele, Brandão retirou sua participação em dois conselhos, eliminou gratificações da equipe da vice-governadoria e suspendeu a internet da residência.
O vice-governador também relaciona ao conflito político um pedido do Ministério Público Estadual para afastá-lo, ligado à suspeita de participação em um esquema de corrupção envolvendo policiais militares responsáveis por sua segurança. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) suspendeu o pedido. Camarão afirma ter sido vítima de uma armação do grupo de Brandão.
Disputa eleitoral e legado de Dino
O principal ponto de ruptura é a sucessão estadual em 2026. Aliados de Camarão dizem que havia um acordo para Brandão deixar o governo, concorrer ao Senado e abrir caminho para que o vice assumisse o Palácio dos Leões. Brandão permaneceu no cargo e apoiou o sobrinho, Orleans Brandão (MDB).
Na pesquisa mencionada, Eduardo Braide (PSD), prefeito de São Luís, aparece à frente, seguido por Orleans Brandão. Camarão ocupa a terceira posição.
O programa de governo de Camarão cita Dino e defende a continuidade de políticas implantadas durante sua gestão. Em agosto, foram contabilizadas 16 referências ao ministro no documento. “A minha candidatura é também para defender o legado que o Flávio deixou no Maranhão e está sendo destruído”, disse o candidato, que também enfrenta divisões dentro do PT maranhense.



