SÃO PAULO — O uso da inteligência artificial na educação exige preparação de professores, equipamentos e cuidado para não comprometer o desenvolvimento cognitivo das crianças, afirmaram especialistas durante a quarta edição do Seminário Brasil Hoje. O evento ocorreu nesta segunda-feira (14/9), em São Paulo.
Para Iona Szkurnik, CEO da Education Journey, a velocidade de avanço da tecnologia impede que a regulação acompanhe todas as mudanças. Ela defende que o Brasil busque um mecanismo próprio, sem importar o modelo europeu, que, em sua avaliação, pode sufocar a inovação pelo excesso de regras.
Szkurnik também alertou que o uso pouco estudado da IA nas escolas e na formação docente pode prejudicar o desenvolvimento cognitivo. A dependência de respostas prontas, obtidas a partir de comandos, pode afetar a capacidade de pensamento dos estudantes e influenciar o futuro do país, conforme a especialista.
Ricardo Cavallini, palestrante de inteligência artificial, inovação e futuro, afirmou que a tecnologia pode tanto atrapalhar quanto apoiar o aprendizado, dependendo da compreensão sobre seus limites e possibilidades. “Então deixa de ser ‘usar ou não usar’, mas sim ‘como usar’”, disse. Para ele, essa definição é mais complexa do que criar uma legislação.
Regras para empresas
O deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP) defendeu uma “autorregulação regulada” para a inteligência artificial. Pela proposta, o Estado estabelece princípios e referências, enquanto as empresas participam da formulação das próprias iniciativas e incorporam essas regras, sob supervisão permanente.
Silva também sustentou que a regulação do ambiente digital deve ser baseada em normas principiológicas, ajustadas ao longo do tempo para evitar a obsolescência. Na avaliação do deputado, existe um pluralismo normativo que combina regras privadas das empresas e princípios definidos nos marcos regulatórios.
Cavallini contestou a eficácia da autorregulação. Segundo ele, empresas que recebem multas recordes e mantêm seus proprietários cada vez mais ricos não têm incentivo suficiente para mudar de comportamento.
O palestrante apontou ainda uma diferença entre as abordagens europeia e norte-americana: enquanto a Europa enfatiza os riscos da tecnologia, os Estados Unidos priorizam inovação e desenvolvimento. Para ele, a legislação precisa conciliar os dois objetivos.
O Seminário Brasil Hoje reuniu autoridades, especialistas e lideranças dos setores público e privado. Cinco painéis discutiram soberania e competitividade no mercado global, tecnologia, universalização do saneamento, segurança pública e as eleições deste ano.




