O pastor Silas Malafaia condiciona uma nova manifestação bolsonarista ao resultado da sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) que analisa a relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master. A Corte avalia a possibilidade de abrir uma investigação sobre o ministro nesta terça-feira, a partir das 10h.
Malafaia, articulador e financiador de atos em defesa de Jair Bolsonaro (PL), afirma que prefere esperar a decisão do STF antes de convocar uma mobilização. “Antes (de agendar uma manifestação contra o STF), precisamos ver como o Moraes será blindado”, diz o pastor. Ele afirma que, caso identifique um acordo ou proteção ao ministro, o grupo poderá realizar um ato em Brasília.
A análise ocorre após a divulgação de documentos e mensagens apreendidas pela Polícia Federal. O material indica uma suposta relação entre Vorcaro, Moraes e familiares do ministro. Entre os registros estão contratos entre empresas ligadas ao banqueiro e o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro.
Um dos contratos prevê 36 parcelas mensais de R$ 3 milhões líquidos, com total de R$ 108 milhões. Considerados os tributos previstos no acordo, o valor bruto ultrapassaria R$ 131 milhões. Registros de metadados apontam que Alexandre de Moraes editou a versão final do documento em um perfil do Office 365 identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”.
Outro contrato estabelece limite de até R$ 50 milhões durante 36 meses. A negociação previa, entre as possibilidades de pagamento, a transferência de cotas de um jatinho e um helicóptero, avaliadas em R$ 40 milhões. Os R$ 10 milhões restantes estariam ligados a despesas de uso e manutenção.
Documentos também registram cartões de crédito para os filhos de Moraes, com limite de R$ 300 mil para cada um, e uma recepção organizada por Vorcaro em um hotel de luxo em Campos do Jordão para uma comitiva relacionada a “Alex”.
No domingo, Moraes pediu a retirada do sigilo de uma petição com informações sobre pagamentos e contratos ligados a Vorcaro. Edson Fachin, presidente do STF, acolheu o pedido após manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República.



