A Petrobras vai comprar 0,8 milhão de toneladas de gás natural liquefeito (GNL) por ano da americana Sempra Infrastructure durante vinte anos. A estratégia busca reduzir a exposição da estatal às oscilações do mercado internacional, especialmente quando a geração termelétrica aumenta.
A demanda brasileira por gás varia conforme o nível dos reservatórios das hidrelétricas. Em períodos de poucas chuvas, as termelétricas são mais acionadas e o consumo de GNL cresce. Nesses momentos, a Petrobras recorreu historicamente ao mercado spot, no qual os preços podem subir quando vários países fazem compras ao mesmo tempo.
Durante a crise hídrica de 2021, as importações de GNL da companhia mais que triplicaram e alcançaram a média de 23 milhões de metros cúbicos por dia.
Produção nacional e incerteza boliviana
A produção brasileira de gás atingiu 214,97 milhões de metros cúbicos por dia em julho, alta de 12,6% em relação ao mesmo período de um ano antes. Porém, apenas 66,12 milhões de metros cúbicos por dia foram disponibilizados ao mercado. O restante é reinjetado nos reservatórios, consumido nas operações ou depende de infraestrutura de escoamento e processamento.
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) também aponta restrições na malha de transporte, que podem impedir que uma oferta nacional excedente atenda toda a demanda. Por isso, o crescimento da produção não elimina a necessidade de uma fonte capaz de responder rapidamente aos picos de consumo.
Outro fator é a queda na produção da Bolívia. Petrobras e YPFB revisam o contrato de fornecimento pelo Gasbol, que pode terminar entre 2028 e 2029. O Plano Decenal de Expansão de Energia prevê que o volume recebido pelo gasoduto diminua de 13 milhões de metros cúbicos por dia para 5 milhões a partir de 2030.
A Petrobras já havia contratado, em fevereiro de 2025, outros 0,8 milhão de toneladas anuais de GNL da britânica Centrica, por quinze anos, com entregas a partir de 2027. Com o acordo da Sempra, o volume anual contratado nos dois contratos de longo prazo dobra.
A EPE projeta crescimento de 95% da produção líquida brasileira de gás entre 2025 e 2035 e um balanço nacional superavitário no período. A avaliação da Petrobras é que ainda pode haver falta de gás disponível em determinada região ou momento. O GNL contratado funciona, assim, como uma reserva para períodos de maior necessidade.
A companhia não informou o valor pago pelo GNL da Sempra, a fórmula de preços nem a data de início das entregas. Essas informações são necessárias para calcular o custo da proteção contra compras no mercado spot.



