BERLIM — As eleições estaduais realizadas neste domingo (20) produziram resultados opostos em duas regiões da Alemanha. A Alternativa para a Alemanha (AfD) aparece na liderança em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, enquanto o partido de esquerda Die Linke fica em primeiro lugar nas projeções para o parlamento de Berlim.
Em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, a AfD registra 37,9%, contra 35,7% do Partido Social-Democrata (SPD), que governa o estado. Die Linke aparece com 6,5%, os Verdes com 5,6% e a União Democrata-Cristã (CDU), do chanceler Friedrich Merz, em torno de 5%.
A liderança da AfD não garante a formação de um governo. Os demais partidos rejeitam coalizões com a legenda, o que reduz as alternativas para que ela assuma o comando do estado. O SPD ainda tem possibilidades de permanecer no governo, mas precisa encontrar novos parceiros. Uma das combinações consideradas é a união entre SPD, Die Linke e Verdes.
Desempenho da CDU
A CDU registra seu pior resultado em uma eleição estadual desde o pós-guerra em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental. Com cerca de 5%, a legenda chega perto do limite mínimo necessário para conquistar representação parlamentar.
Após a divulgação das projeções, Merz classifica o desempenho da AfD como um “desastre”, mas afirma que continuará no cargo. O chanceler também declara que a Alemanha “precisa de mudanças, determinação, firmeza e paciência”.
O resultado se soma ao desempenho da AfD em 6 de setembro, na Saxônia-Anhalt, onde o partido alcança aproximadamente 44% dos votos. A legenda não obtém maioria absoluta dos assentos e depende de negociações para formar uma administração. Os partidos tradicionais mantêm a posição de não formar coalizões com a AfD.
Disputa em Berlim
Na capital, o Die Linke aparece na primeira colocação, com 25,6%. A CDU fica em segundo, com 19,7%, seguida pelos Verdes, com 15,3%, pela AfD, com 15,1%, e pelo SPD, com 11,8%.
O resultado altera a composição política do Abgeordnetenhaus, o parlamento de Berlim. O Die Linke amplia sua votação em relação ao pleito anterior e ultrapassa a CDU, que integra a administração da cidade-estado.
Nenhuma legenda alcança sozinha a maioria absoluta dos assentos. A formação do próximo governo dependerá de negociações entre os partidos e da distribuição final das cadeiras.
As projeções ainda estão sujeitas a alterações com a apuração. Na Alemanha, os 16 estados federados realizam eleições regionais com calendários e regras específicos, o que distribui os pleitos ao longo de diferentes anos.


