A ofensiva huti contra a Arábia Saudita ocorre ao mesmo tempo em que o grupo amplia seu controle sobre áreas estratégicas do litoral do Iêmen, incluindo a ilha de Perim, na entrada do Mar Vermelho. As forças hutis também controlam grande parte da costa oeste do país e o Estreito de Bab El-Mandeb, rota usada para o escoamento de petróleo, segundo integrantes do governo iemenita reconhecido internacionalmente.
Os ataques desta segunda-feira, 14, com mísseis e drones, deixam 13 civis feridos, de acordo com a coalizão liderada por Riad que atua no Iêmen. Alertas de emergência são emitidos em Khamis Mushait, onde fica a Base Aérea Rei Khalid, e em outras três cidades do sul da Arábia Saudita. A coalizão informa que a ofensiva atinge hangares de aeronaves, radares, pistas de pouso e depósitos de munição.
Resposta militar e impacto sobre a energia
As forças aéreas sauditas e iemenitas intensificam os bombardeios contra posições hutis. A região do porto histórico de Mocha, no Mar Vermelho, está entre os alvos. Mesmo com os ataques, os rebeldes mantêm o controle de boa parte da faixa costeira.
A escalada ocorre após um ataque que deixa inoperante um trecho do oleoduto saudita entre o Golfo Pérsico e o Mar Vermelho. A Arábia Saudita atribui a ação a milícias apoiadas pelo Irã no Iraque. Com cerca de 1.200 quilômetros, o oleoduto permite o transporte de petróleo até o Mar Vermelho sem dependência do Estreito de Ormuz. Operadores afirmam que uma interrupção prolongada pode retirar até 4% da oferta mundial do produto. O governo saudita ainda não informa quando a estrutura voltará a funcionar.
Os preços do petróleo sobem mais de 4% na segunda-feira antes de encerrarem o dia com alta de aproximadamente 1%. Nesta terça-feira, o barril do Brent supera 108 dólares.
Impasse sobre o Estreito de Ormuz
As negociações para reabrir o Estreito de Ormuz perdem perspectiva de avanço. Omã adia uma reunião prevista para esta segunda-feira, 14, entre representantes do Irã e dos países do Golfo. O governo iraniano afirma que a decisão ocorre a pedido da Arábia Saudita.
Antes da guerra, a passagem era usada para transportar cerca de 20% das exportações mundiais de petróleo. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, diz que o Irã teria interesse em alcançar rapidamente um acordo. Mohsen Rezaei, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano, rejeita a declaração e afirma que não haverá negociações até que as condições de Teerã sejam atendidas.
A situação do petroleiro El Gaia também permanece sem esclarecimento. O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica afirma que a embarcação, de bandeira do Panamá, é atingida por minas navais ao sul do Estreito de Ormuz. O Comando Central dos Estados Unidos sustenta que o navio é atingido por um míssil iraniano no mês passado. A Organização Marítima Internacional confirma que a embarcação foi danificada no sábado, sem informar a causa. Dois tripulantes estão desaparecidos.
Washington resiste aos pedidos de Riad por uma intervenção militar direta contra os hutis e limita, até o momento, o apoio à área de inteligência, segundo fontes próximas ao caso.



