O Brasil mantém desempenho baixo no Pisa, apesar de reduzir a distância para a média da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O relatório divulgado nesta terça-feira, 8, mostra que essa aproximação ocorre principalmente porque os países mais ricos tiveram queda nos resultados, enquanto o desempenho brasileiro permanece praticamente estagnado.
O Pisa avalia se estudantes de 15 anos adquiriram conhecimentos e habilidades essenciais para participar plenamente da vida social e econômica. Os dados referentes a 2025 apontam alta de seis pontos do Brasil em Ciências, de 403 para 409. Em Leitura, a nota cai dois pontos, de 410 para 408. Em Matemática, recua de 379 para 377, na comparação com a edição de 2022.
No ranking, o país registra a 24ª pior nota em Matemática, a 36ª em Leitura e a 24ª em Ciências. O resultado geral reúne pequenos avanços e recuos, sem mudança no quadro de baixo desempenho.
A média do grupo de 23 nações da OCDE chega ao pior resultado desde o início da avaliação, em 2000. A Finlândia perde 80 pontos em Matemática e 73 em Leitura. Portugal e Espanha também registram perdas nessas duas áreas.
Celulares e condições nas escolas
O relatório relaciona a queda em Leitura à maior dificuldade dos estudantes em manter a concentração em tarefas prolongadas, ao uso crescente de smartphones, à menor disposição e à perda de curiosidade. Em Matemática, faltar às aulas ou chegar atrasado aparece associado à redução dos resultados. O documento também alerta para indisciplina e violência contra professores nas escolas.
No Brasil, 81% dos estudantes estavam em escolas com restrições ao uso de celulares, acima da média de 49% da OCDE. Em 2023, o percentual brasileiro era de 37%.
O Inep afirma que a proporção está alinhada a evidências de que alunos em escolas com esse tipo de regra relatam menos distrações digitais. O instituto também relaciona o resultado à implementação da Lei nº 15.100/2025, que estabelece regras para o uso de celulares na educação básica em todo o país.



