O principal comando militar do Irã afirma que bases e interesses dos Estados Unidos no Oriente Médio serão atacados caso Washington retome uma ofensiva contra o território iraniano. O alerta é feito neste domingo (20) pelo Quartel-General Central Khatam al-Anbiya, responsável pelo comando conjunto das Forças Armadas do país.
A estrutura militar diz ter recebido informações de que os Estados Unidos decidiram reiniciar ações contra o Irã com o aval de governos da região. Teerã também afirma que a decisão foi discutida em uma reunião realizada em um país europeu, mas não apresenta provas públicas dessa alegação.
“Caso os Estados Unidos cometam qualquer erro contra o Irã, todas as suas bases e interesses na região, sem qualquer restrição ou consideração, serão alvo de ataques contínuos, eficazes e dolorosos”, afirmou o comando iraniano.
Advertência a países aliados dos EUA
O aviso também se dirige aos governos do Oriente Médio que colaborarem com uma eventual ofensiva americana. O comando iraniano afirma que esses países serão considerados participantes diretos do conflito e não poderão esperar “contenção ou moderação” das Forças Armadas do Irã.
A tensão ocorre enquanto o governo do presidente Donald Trump avalia alternativas para lidar com Teerã. Entre as possibilidades estão novas ações militares, o aumento da pressão econômica e a retomada das negociações. Trump declarou recentemente que enfrenta uma decisão importante sobre a possibilidade de voltar a realizar ataques de grande escala contra o Irã.
Na terça-feira (22), durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, Trump deve se reunir com líderes de Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein, Kuwait e Omã para discutir a crise regional e o Irã.
Estreito de Ormuz
Teerã combina as ameaças militares com a indicação de que ainda admite uma solução negociada. Autoridades iranianas condicionam um eventual entendimento a mudanças na política americana, incluindo questões relacionadas às sanções e ao tráfego pelo estreito de Ormuz.
O Irã afirma que mantém o controle da passagem estratégica para o comércio mundial de petróleo e gás. As autoridades também indicam que restrições à navegação podem ser usadas como instrumento de pressão contra os Estados Unidos e seus aliados.
O agravamento da crise aumenta o risco de expansão regional do confronto. Uma interrupção prolongada da circulação de navios pelo estreito pode afetar o fornecimento mundial de energia e pressionar os preços internacionais do petróleo e dos combustíveis.



