O livro Canto do Cisne: Diana, Minha Irmã, do conde Charles Spencer, reacende críticas à forma como o rei Charles III tratou Diana e descreve conflitos entre o autor e o então herdeiro do trono após a morte da princesa. A obra foi lançada mundialmente na terça-feira 22 pela Editora Objetiva.
Spencer afirma que discutiu por telefone com Charles a presença de William e Harry no funeral da mãe. O irmão de Diana era contra a participação dos filhos, que tinham 15 e 12 anos, enquanto o pai defendia a presença deles. Segundo o relato, Charles teria dito que Diana seria esquecida rapidamente.
A princesa morreu aos 36 anos, na madrugada de 31 de agosto de 1997, em um acidente de carro em Paris. No livro, Spencer afirma que Charles ligou depois da tragédia e parecia eufórico, em contraste com outras pessoas que telefonaram para oferecer pesar e ajuda. O autor relaciona essa reação à possibilidade de o príncipe se casar com Camilla, então sua amante.
Outros episódios relatados
O Palácio de Buckingham reagiu ao conteúdo e declarou: “O luto fraternal por vezes obscurece a razão, afeta o julgamento e distorce a memória”. A comentarista de assuntos da realeza Melanie McDonagh afirmou que Spencer detesta Charles e que o sentimento é recíproco.
O conde também relata que Charles teria demonstrado inveja quando Spencer herdou o título após a morte do pai, em 1992. Segundo o livro, o príncipe reclamou que, aos 43 anos, era tratado pela família como criança.
Spencer descreve ainda comentários feitos por Charles antes do casamento com Diana, incluindo a afirmação de que não a amava e uma observação sobre o peso dela. Em outro episódio, diz que Diana contou ao irmão que o marido estava apaixonado por seu camareiro quando discutiam a possibilidade de divórcio.
O livro também aborda a vida emocional da princesa. Spencer afirma que ela tinha comportamento impulsivo e gênio forte, enfrentou crises depressivas e chegou a dirigir até os penhascos de Beachy Head pensando em suicídio. Ele diz que Diana chegou a considerar o cancelamento do noivado, mas foi demovida pelo pai.
A obra é publicada enquanto Charles, aos 77 anos e com câncer incurável, tenta reorganizar a Casa de Windsor. O livro também pode reavivar as críticas à resposta da família real após a morte de Diana, avalia Sarah Bennett, do departamento de história da Universidade de Nottingham.



