MIAMI — Cinco pessoas morreram depois que um Boeing 767-300 de carga ultrapassou o fim da pista do Aeroporto Internacional de Miami e atingiu dois veículos em uma via próxima ao terminal. Outras cinco pessoas ficaram feridas. Nenhum ocupante do avião morreu.
A informação foi confirmada por Jennifer Homendy, presidente do Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos (NTSB). A aeronave atravessou uma área gramada, rompeu cercas de proteção e destruiu barreiras de concreto antes de parar em chamas.
Investigação do pouso
O acidente ocorreu no domingo (6), durante o pouso. Dados de rastreamento indicam que o Boeing ainda estava a cerca de 130 milhas por hora, aproximadamente 209 km/h, ao alcançar o fim da pista. Depois de atingir os veículos, o avião percorreu cerca de 1.300 pés além da área pavimentada e parou perto de um estacionamento.
Os veículos atingidos eram uma van Ford, com sete pessoas, e um SUV da Toyota. A van transportava trabalhadores de uma empresa terceirizada que presta serviços de limpeza para companhias aéreas. Entre os feridos, três foram levados a um centro de trauma em estado crítico. O estado de saúde dos dois pilotos retirados da cabine não foi detalhado.
A caixa-preta foi recuperada e pode fornecer gravações da cabine e outros dados sobre os momentos anteriores ao acidente. Uma equipe de 32 investigadores do NTSB deve permanecer no local por pelo menos uma semana. A agência afirma que ainda não vai estabelecer uma causa definitiva.
A aproximação e o pouso estão entre os pontos analisados. A aeronave tentou pousar por volta das 14h, em uma pista com mais de 9 mil pés. Informações do Flightradar24 indicaram que o avião estava acima da trajetória habitual antes de retornar ao alinhamento esperado. O Boeing também atravessou uma área de tempestades, e uma mudança repentina na direção dos ventos será investigada.
David Soucie, analista de segurança e ex-inspetor da Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA), afirmou que um possível vento de cauda pode ter dificultado a desaceleração. Não houve relato prévio dos pilotos sobre problemas técnicos nas comunicações com o controle de tráfego aéreo.
Imagens analisadas após o acidente indicaram que o avião tocou a pista quase paralelo ao solo. Francisco Diaz, capitão de Boeing 747 e presidente do Captains Council, disse que os vídeos levantam dúvidas sobre a estabilização da aproximação.
Mais de 60 unidades de resgate e aproximadamente 200 bombeiros foram mobilizados. As equipes retiraram pessoas presas nos veículos e encontraram destroços do avião, dos automóveis, airbags e partes das cercas destruídas.
Operação da aeronave
O Boeing tinha 32 anos e fazia o trajeto de San Juan, em Porto Rico, para Miami. A aeronave era operada pela 21 Air, transportadora de cargas sediada na Carolina do Norte e com operações em Miami. A empresa fornece voos para a Amazon Air.
Os investigadores também devem avaliar o desempenho do avião, a experiência e o treinamento da tripulação, as condições meteorológicas, o controle de tráfego aéreo e a supervisão regulatória da FAA. A relação operacional entre a 21 Air e a Amazon será examinada. Pelas regras da aviação norte-americana, a responsabilidade operacional cabe à empresa que executa o voo.
O acidente também provocou discussões sobre a segurança do aeroporto. Especialistas afirmam que a instalação não tem um sistema EMAS, formado por blocos que cedem sob o peso da aeronave para reduzir sua velocidade quando ela ultrapassa o fim da pista.
O Aeroporto Internacional de Miami passou a operar com apenas duas de suas quatro pistas após o acidente. O NTSB continua reunindo evidências para determinar por que o Boeing não conseguiu parar dentro da área destinada ao pouso.



