O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirma que o Brasil falhou no combate ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV), classificados por Washington como organizações terroristas estrangeiras. A declaração aparece em um comunicado divulgado nesta quarta-feira, 16, pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos.
Trump diz que as duas organizações transformaram o Brasil em um centro de distribuição global de cocaína e defende que o governo brasileiro adote medidas contra as facções. O documento enviado anualmente ao Congresso dos Estados Unidos lista países considerados grandes produtores de drogas ilícitas ou rotas importantes do narcotráfico e avalia os esforços de governos estrangeiros.
Pressão sobre as facções
Neste ano, 23 países aparecem na relação, entre eles México, Colômbia, Peru, Bolívia e Equador. O Brasil não está na lista, apesar da crítica feita por Trump no comunicado.
A menção ocorre após o secretário de Estado, Marco Rubio, classificar o PCC e o Comando Vermelho como terroristas globais especialmente designados em maio. O governo brasileiro se opõe à medida e afirma temer interferências americanas no país.
Em entrevista recente, Lula disse que o combate às facções deve ser conduzido pelas forças nacionais. “Essa é uma guerra que é nossa, essa guerra não é dos Estados Unidos”, afirmou.
O governo americano já havia declarado como terroristas grupos do México — os cartéis de Sinaloa, Jalisco Nueva Generación e Noreste — e a organização Tren de Aragua, da Venezuela, em fevereiro do ano passado.
Elogios à Venezuela
No mesmo documento, Trump retirou a Venezuela da lista de países que, segundo o governo americano, falharam comprovadamente no combate ao narcotráfico ao longo do último ano. Ele atribuiu a mudança à detenção e à remoção de Nicolás Maduro e citou uma cooperação crescente com o governo interino da presidente Delcy Rodríguez.
Trump também afirmou que houve a eliminação de Niño Guerrero, apontado por ele como líder do Tren de Aragua, e elogiou os governos da Colômbia, da Bolívia, da Argentina e de outros países de direita da região.



