A imprensa internacional destaca a polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro na eleição presidencial brasileira. As análises citam a intensidade dos ataques, os impactos para a democracia e a possibilidade de influência dos Estados Unidos no pleito.
A revista britânica The Economist descreve a disputa como um “concurso de impopularidade” e afirma que a decepção dos eleitores é garantida. A publicação apresenta Lula como um líder idoso, associado ao ex-presidente americano Joe Biden e criticado por sua indisciplina fiscal. Flávio é retratado como herdeiro político cuja principal plataforma inclui o indulto ao pai, Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.
A agência francesa Agence France-Presse afirma que Lula e Flávio, apresentado como o primogênito de seu principal adversário político, trocaram ataques durante a campanha, sem participar de debates frente a frente. A agência também relaciona a candidatura do senador ao descontentamento com o governo, atribuído ao aumento do custo de vida e da insegurança.
A Reuters avalia que uma vitória de Flávio ampliaria a onda de triunfos de candidatos de direita alinhados ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na América Latina. Já uma reeleição de Lula poderia aumentar as tensões com Washington em temas de comércio e segurança.
O jornal britânico The Guardian afirma que a escolha dos eleitores brasileiros terá impacto global. Em editorial, o veículo associa uma eventual vitória de Flávio a riscos para a democracia e o meio ambiente na Amazônia, além de avaliar que o resultado fortaleceria a postura intervencionista de Trump na América Latina.
Na Espanha, o El País questiona se o Brasil seguirá como potência democrática e regional ou se poderá retornar ao autoritarismo. A análise menciona os atentados de 8 de janeiro de 2023 contra as sedes dos Três Poderes e afirma que a plataforma de Flávio permanece ligada ao grupo familiar, inclusive pela promessa de indultar Jair Bolsonaro.
Outras análises destacam o escândalo financeiro do Banco Master e seus efeitos sobre a classe política e o Judiciário. Nos Estados Unidos, o The New York Times concentra a atenção no chamado “Fator Trump” e na possibilidade de interferência do presidente americano, além de abordar medidas adotadas em Brasília contra a desinformação e para proteger as urnas eletrônicas.



