Lula disputa neste mês de outubro sua última eleição presidencial, independentemente do resultado. Aos 81 anos, o presidente afirma que não voltará a se candidatar ao cargo. A decisão abre uma disputa por sucessão na esquerda e pode alterar os planos de lideranças da direita.
Desde a redemocratização, Lula concorreu à Presidência em sete ocasiões. Foi derrotado em 1989, 1994 e 1998 e venceu em 2002, 2006 e 2022. Também participou da eleição de 2018, quando estava preso. Em 2010, não concorreu porque a Constituição impede três mandatos consecutivos. Quatro anos depois, Dilma Rousseff disputou a reeleição.
A professora emérita da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP Maria Hermínia Tavares afirma que Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ex-governador Ronaldo Caiado estão entre os últimos políticos de projeção nacional que participaram da Constituinte. “Esta será, por assim dizer, a última eleição da Nova República”, escreveu.
Disputa na esquerda
Após a campanha, deve ganhar força a disputa pelo posto de sucessor de Lula no campo petista e entre partidos aliados. Entre os nomes mencionados estão Fernando Haddad, o senador Camilo Santana e a deputada Gleisi Hoffmann.
Sem Lula como candidato, partidos como o PSB tendem a buscar mais espaço fora da órbita do PT. O processo também envolve a atualização das propostas e da prática política da centro-esquerda. O texto cita a perda de contato com o mundo do trabalho e a necessidade de renovar ideias, conceitos e programas.
Efeitos na direita
A sucessão também pode afetar a direita. Mesmo preso, Jair Bolsonaro mantém, conforme o texto, um capital eleitoral semelhante ao de Lula e escolheu o filho mais velho, Flávio Bolsonaro, para disputar a Presidência.
O futuro político de Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo e aliado de Bolsonaro, depende desse cenário. Uma vitória de Flávio pode dificultar uma candidatura de Tarcísio ao Planalto em 2030, enquanto uma vitória de Lula deixaria mais espaço para o projeto presidencial do governador. Por isso, dirigentes de partidos de direita e do Centrão discutem a posição que adotarão na campanha de Flávio.



