Dom Vicente Ferreira, bispo da Diocese de Livramento de Nossa Senhora, na Bahia, compara Flávio Bolsonaro (PL) ao pai, Jair Bolsonaro, após o senador acusar a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) de divulgar informações falsas sobre Nossa Senhora Aparecida. A manifestação ocorre nas redes sociais na madrugada desta segunda-feira (28).
“O pai disse que a CNBB é a parte podre da Igreja Católica. Inclusive, vigiou bispos. Agora, o filho declara que ajudamos a divulgar Fake News. Valei-nos, Mãe Aparecida! Nossa rainha e padroeira”, escreveu o bispo.
Na mesma sequência, Dom Vicente reafirma orientações de voto da Igreja Católica e defende a mobilização em favor da justiça e da paz.
Histórico de críticas a Bolsonaro
Nomeado bispo em 1º de fevereiro de 2023 pelo então papa Francisco, Dom Vicente já atuou como bispo auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte. Em junho de 2021, ele entrou no centro dos ataques de apoiadores de Bolsonaro após publicar uma mensagem em que pedia a Deus que livrasse o Brasil “desse fascista brasileiro”.
Em outra publicação, o religioso afirmou que Bolsonaro “vai cair” e comparou a situação ao relato bíblico de Davi e Golias. As mensagens foram interpretadas como críticas ao então presidente.
A CNBB se manifesta neste domingo após a acusação de Flávio Bolsonaro. Em nota, a entidade afirma que não produziu, autorizou ou participou da elaboração ou divulgação de informações falsas relacionadas ao processo eleitoral. Também declara que não integra estruturas político-partidárias e que suas manifestações sobre as eleições seguem sua missão pastoral e princípios ligados à dignidade humana, ao bem comum, à democracia e à liberdade de consciência.
A entidade repudia a produção e o uso de informações falsas e afirma que acusações sem fatos e provas atingem injustamente a instituição. A nota conclui: “A mentira não se combate com outra mentira”.
O advogado-geral da União, Jorge Messias, publica uma nota de solidariedade à CNBB. Ele afirma repudiar o uso da mentira como instrumento político e eleitoral e defende a liberdade religiosa, a convivência entre crenças e o Estado laico.



