SÃO PAULO — O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou neste domingo, 13, a retirada do sigilo de todo o material enviado pela Justiça de São Paulo sobre a produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro.
A investigação apura suspeitas de desvio e ocultação de recursos públicos, com menções a emendas parlamentares federais, à Prefeitura de São Paulo e a possíveis vínculos com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
A apuração chegou ao STF no contexto da PET 16.669, relacionada à PET 16.070. Os procedimentos tratam de controvérsias sobre transparência e rastreabilidade na execução de emendas destinadas a empresas situadas em São Paulo. Em decisão anterior, Dino determinou a avocação de um inquérito da Polícia Civil paulista por identificar possíveis conexões entre as investigações e a presença de um deputado federal entre os investigados.
Material apreendido
A Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão em 1º de junho, em endereços ligados ao núcleo investigado. Parte do material foi alvo de pedido de compartilhamento pela Polícia Federal, mas a transferência ainda não havia sido concluída porque alguns elementos dependiam de extração pericial. Entre as provas estão dados retirados de celulares e de outros equipamentos.
A decisão menciona transferências entre a empresa Complexsys, o Instituto Conservação Brasil (ICB), a Associação Nacional de Cultura (ANC) e o deputado federal Mário Frias. Para a Polícia Federal, as movimentações podem indicar circulação, fragmentação e ocultação de valores.
Dino registra que há menções reiteradas a Frias e que, segundo os elementos apresentados, operações envolvendo o deputado e a Go Up seriam incompatíveis com os rendimentos declarados e com os créditos identificados em suas contas. A decisão trata essa avaliação como hipótese investigativa e aponta que ele ocuparia um papel de liderança na suposta estrutura.
O ministro também determinou o envio à Polícia Federal do material bruto extraído dos celulares, dos aparelhos, computadores e documentos apreendidos. A medida inclui itens já periciados e aqueles ainda em perícia. Dino autorizou ainda a requisição de Relatórios de Inteligência Financeira ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).



