O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirma que a investigação sobre o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro, reforça a hipótese de uma estrutura organizada para desvio de recursos públicos. A apuração envolve agentes públicos e privados, além de empresas e entidades relacionadas à produção.
Em decisão publicada neste domingo (13), Dino determinou o levantamento do sigilo da investigação. No documento, o ministro registra que o deputado federal Mário Frias (PL-SP) aparece repetidamente nos autos e, dentro da hipótese analisada, teria exercido uma função de liderança na suposta organização.
A decisão também menciona uma linha investigativa sobre possíveis vínculos entre o grupo apurado e o Primeiro Comando da Capital (PCC). Dino ordenou que a Polícia Federal receba todo o material apreendido pela Polícia Civil de São Paulo, incluindo celulares, computadores e documentos. Parte das perícias ainda está em andamento. O conjunto reúne cerca de 5 mil páginas.
Recursos públicos e empresas
Segundo o ministro, a análise dos elementos reunidos pela Polícia Federal e pela investigação estadual indica uma possível conexão entre duas frentes: o uso de emendas parlamentares federais e movimentações financeiras de empresas e pessoas ligadas ao núcleo investigado.
Dino descreve a hipótese como um “sofisticado esquema de destinação e desvio de recursos públicos”, com menções a verbas parlamentares federais e a contratos da Prefeitura de São Paulo. A Polícia Federal apura se recursos públicos circularam entre entidades e empresas relacionadas ao filme.
Entre os pontos analisados estão repasses ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), ligado à produtora da obra, e relações financeiras com empresas contratadas em projetos financiados por dinheiro público.
Mário Frias participou do projeto como produtor-executivo e destinou emendas parlamentares a entidades investigadas. Ele foi alvo de busca e apreensão na Operação Make Up, deflagrada na última semana pela Polícia Federal, que cumpriu 49 mandados em diferentes estados. Karina Ferreira da Gama, responsável pela produtora ligada ao filme, também foi alvo da operação.
Frias afirma que não cometeu irregularidades e diz que as emendas foram destinadas a ações de finalidade social. Com a decisão, a Polícia Federal passa a analisar o material apreendido, enquanto o STF acompanha a investigação.



