PARÁ — As eleições de outubro podem ampliar a presença da família Barbalho no Executivo, no Legislativo e no Judiciário do Pará. Seis integrantes do grupo disputam cargos eletivos, enquanto um deles já ocupa a prefeitura da capital.
O ex-governador Helder Barbalho (MDB) lidera a corrida ao Senado, com 36% das intenções de voto, conforme levantamento da Real Time Big Data divulgado na semana passada. O delegado Éder Mauro (PL) aparece em seguida, com 16%. Jader Barbalho, pai de Helder, é candidato a primeiro suplente na chapa.
Também disputam eleições o deputado José Priante (MDB), primo de Helder, que busca o oitavo mandato de deputado; a vereadora Nay Barbalho (MDB), sobrinha de Jader, candidata a deputada estadual; e Igor Normando (MDB), prefeito de Belém e sobrinho de Elcione Barbalho. A ex-mulher de Jader, mãe de Helder e de Jader Filho, disputa vaga de deputada estadual.
A família também está presente em órgãos públicos do estado. Daniela Baralho, esposa de Helder, é conselheira do Tribunal de Contas do Estado. Mara Lúcia Barbalho, tia de Helder, ocupa uma cadeira no Tribunal de Contas dos Municípios. Alex Centeno, desembargador do Tribunal de Justiça do Pará, é primo de Helder.
Origem política
A trajetória do grupo começou com o deputado estadual Laércio Barbalho, do PSD, no final da década de 60. Irmão do ator Lúcio Mauro, ele teve sete filhos, mas apenas Jader seguiu carreira política. Jader foi vereador, deputado estadual, deputado federal, governador duas vezes, ministro duas vezes e está no terceiro mandato de senador.
Em 2001, Jader foi preso por desvios de verbas públicas na Sudam, no Banpará e no Incra.
O Pará aparece com a pior qualidade de vida entre as unidades da federação no Índice de Progresso Social de 2026, divulgado em maio. O indicador reúne mais de 50 critérios em 5.570 municípios, incluindo moradia, inclusão social e acesso à educação.
Para o cientista político Alberto Aggio, da Universidade Estadual de São Paulo, “o clã Barbalho é a velha política regionalista que se fixou dentro dos espaços da redemocratização do país”.



