CHONGQING — A conexão entre povos ligados aos grandes rios está no centro da 4ª edição do Fórum da Civilização do Rio Yangtzé, realizado nesta semana em Chongqing, na China. O encontro reúne especialistas, jornalistas e artistas de quase 20 países, incluindo representantes do Brasil, para discutir cooperação cultural, desenvolvimento e preservação ambiental.
Com o tema “Conectando Rios e Mares, compartilhando a sabedoria das civilizações”, o fórum aborda experiências de comunidades relacionadas a rios como Amazonas, Nilo, Danúbio e Mississippi. A programação também busca projetar a Rota Econômica do Rio Yangtzé, que percorre 6,3 mil quilômetros e conecta o interior chinês ao porto de Xangai.
O evento integra a Iniciativa para a Civilização Global, lançada pelo presidente Xi Jinping em março de 2023, com o objetivo de promover “valores comuns” por meio da cooperação entre países. Os participantes fizeram ainda um cruzeiro de cerca de 440 quilômetros pelo Yangtzé, com visitas a templos e fortalezas históricas.
Preservação e desenvolvimento
Pesquisas arqueológicas locais indicam que o cultivo de arroz na região do Yangtzé existe há quase 10 mil anos. Para o professor Li Guoqiang, do Instituto de História e membro do Conselho da Academia Chinesa de Ciências Sociais, a importância do rio foi pouco considerada na historiografia ocidental.
O desenvolvimento econômico chinês também provocou impactos ambientais no Yangtzé. Entre eles está a extinção do golfinho Baiji, registrada em 2006. Li afirmou que a China percorreu caminhos “tortuosos” durante a busca por crescimento acelerado, mas passou a priorizar a recuperação ecológica.
A pesca profissional no rio está proibida há dez anos. A política de civilização ecológica tornou-se prioridade nacional em 2012 e foi incluída na Constituição em 2018.
A professora brasileira Vera Maria Ferreira da Silva, do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia, afirmou que a industrialização, a urbanização e a navegação afetaram a fauna do Yangtzé. Para ela, o Brasil deve observar a experiência chinesa sem repetir impactos na Amazônia.
O professor André Pereira Reinnert Tokarski, do Centro Universitário Alves Faria, defendeu um “caminho do meio” entre a exploração predatória e a rejeição de qualquer atividade econômica na região. Ele também apontou que a Amazônia concentra grande volume de água, mas utiliza diesel para gerar energia.
Uma equipe do Centro Internacional de Comunicação do Oeste da China viajou ao Brasil para produzir o documentário “Quando o Yangtzé encontra o Amazonas”, ainda não lançado. A obra registra histórias de povos ribeirinhos amazônicos e chineses.




