Integrantes do governo e da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva avaliam que a crise relacionada ao Supremo Tribunal Federal (STF) perdeu força como fator de influência na disputa presidencial. A estratégia para a reta final é priorizar temas econômicos e sociais, especialmente o reajuste do Bolsa Família.
A pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (17) indica que Lula passou pelo período de maior turbulência envolvendo o Supremo sem apresentar sinal claro de desgaste adicional. A disputa, porém, continua apertada.
O governo anunciou reajuste de 15,04% no Bolsa Família. Com a medida, o benefício mínimo passou de R$ 600 para R$ 691. O STF considerou o reajuste compatível com uma decisão anterior da Corte sobre a atualização de programas de renda básica.
Monitoramentos internos da campanha apontaram que STF e Banco Master continuavam presentes nas redes sociais, mas o aumento do benefício passou a ocupar mais espaço no debate. O governo também levou à discussão propostas sobre custo de vida, apostas eletrônicas e oferta de medicamentos pelo Sistema Único de Saúde.
Revelações envolvendo Moraes
O caso, no entanto, continua produzindo novos episódios. No domingo (20), um vídeo mostrou o ministro Alexandre de Moraes e sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, desembarcando no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro. Eles estavam em uma aeronave operada pela Prime Aviation e anteriormente associada ao ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro.
O gabinete de Moraes havia afirmado que o ministro jamais viajara em aviões de Vorcaro. O escritório Barci de Moraes confirmou a contratação da Prime Aviation para serviços de táxi aéreo e afirmou que a escolha das aeronaves cabia à empresa e que Vorcaro não esteve nos voos.
A campanha de Lula primeiro procurou separar a crise no Supremo da eleição e criticou vazamentos seletivos. Depois, passou a defender que todas as suspeitas fossem investigadas. Lula também destaca que Moraes foi indicado ao Supremo em 2017 pelo então presidente Michel Temer.
Julgamentos relacionados à crise foram adiados e podem retornar à pauta depois das eleições. As investigações sobre o caso Master continuam. O governo aposta que renda, programas sociais e custo de vida ocupem o centro da campanha, mas reconhece que novas pesquisas e desdobramentos ainda testarão essa estratégia.



