CURITIBA — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defende o aprofundamento das investigações sobre a relação entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso por envolvimento em um esquema de fraudes financeiras.
Durante um evento, Lula afirma que ministros da Suprema Corte não devem usar o cargo para enriquecimento. “Ninguém pode ser ministro da Suprema Corte para ficar rico”, declara. O presidente também diz que as decisões dos ministros precisam seguir um padrão de comportamento superior ao da sociedade.
Lula critica Vorcaro e atribui ao governo Jair Bolsonaro a criação da estrutura que teria dado origem ao banco. “A família Bolsonaro não escapa”, afirma o presidente.
Decisões no Supremo
O presidente do STF, Edson Fachin, decide que o plenário não vai analisar em conjunto os pedidos relacionados aos ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. Com isso, fica mantida para terça-feira (15) a sessão destinada ao relatório da Polícia Federal sobre mais de 50 mensagens enviadas por Vorcaro a Moraes.
O Supremo marca para 23 de setembro a sessão que vai discutir questionamentos sobre a atuação de Mendonça nos casos Master e INSS. As informações sobre a condução dos procedimentos estão em um relatório de inteligência elaborado pela Polícia Federal e encaminhado à Corte após solicitação de Moraes.
Nos últimos dias, Fachin suspende a determinação de Mendonça que previa o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e de Leandro Almada, da chefia da Diretoria de Inteligência Policial. Flávio Dino havia determinado a recondução dos dois dirigentes. Com a decisão de Fachin, as medidas anunciadas por Dino e Mendonça são derrubadas nesta quarta-feira (9).
No começo do mês, Mendonça retira o sigilo de materiais da Polícia Federal sobre mensagens entre Moraes e Vorcaro. Os documentos mencionam um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, pertencente à advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes. Também citam cartões do banco emitidos para filhos do ministro, com limites que chegariam a R$ 300 mil.
Moraes envia a Fachin relatórios da Polícia Federal que teriam indicado fortes indícios de irregularidades atribuídas a Mendonça nas operações Sem Desconto e Compliance Zero. Em seguida, Mendonça pede o afastamento de Moraes.



