RECIFE — João Campos enfrenta Raquel Lyra em uma disputa que pode definir o peso político do ex-prefeito do Recife. Candidato do PSB ao governo de Pernambuco, ele tenta transformar a aprovação de sua gestão na capital em apoio no interior do estado, enquanto a governadora amplia sua presença eleitoral.
Na terça-feira 8, Campos participou da procissão de Nossa Senhora da Penha, em Serra Talhada, acompanhado da prefeita Márcia Conrado. Em publicações nas redes sociais, destacou a importância da fé para sua família e para os recifenses e citou Nossa Senhora do Carmo, padroeira do Recife.
Em outro vídeo, ao lado de pacientes que lutam contra o câncer, o ex-prefeito prometeu descentralizar o atendimento de saúde pelas regiões de Caruaru, do Vale do São Francisco e do Araripe. Também anunciou a criação de um centro para tratamento da doença no Hospital Eduardo Campos, em Serra Talhada. A unidade leva o nome de seu pai, ex-governador de Pernambuco morto em 2014 em um acidente aéreo.
A movimentação no interior ocorre porque Campos construiu sua principal base eleitoral no Recife. Em 2024, foi reeleito prefeito com 80% dos votos. Raquel Lyra, por outro lado, ampliou o espaço político depois de trocar o PSDB pelo PSD, partido que chegou a setenta prefeitos, 40% do total, e superou o PSB.
Pesquisas e desafios
Aos 32 anos, Campos também é apontado como uma possibilidade de renovação da esquerda e como nome para a sucessão de Lula. Em março, registrava 60,9% das intenções de voto contra 22,2% de Raquel, segundo o Paraná Pesquisas. Levantamentos recentes indicam que a governadora virou o cenário, embora a vantagem esteja no limite da margem de erro, conforme a Quaest.
A aprovação de Raquel chega a 68%, ainda segundo o instituto. Ela também permanece no comando do estado, enquanto Campos está sem cargo desde abril, quando renunciou ao mandato. Nas redes sociais, o ex-prefeito tem 1,1 milhão de seguidores a mais no Instagram, mas alcança menos pessoas que a governadora.
Lula declarou apoio a Campos, e o PT integra a coligação do PSB. Mesmo assim, o presidente não deve se envolver muito na campanha. Em Pernambuco, ele tem 60% de aprovação e 58% das intenções de voto no primeiro turno, de acordo com o Real Time Big Data.
Para a cientista política Priscila Lapa, a independência de Raquel no cenário nacional e o apoio de diferentes grupos permitem que ela atraia eleitores lulistas. “Tanto a governadora quanto João se mostram como aliados do presidente”, afirma.
Campos ainda precisa conciliar a imagem de renovação com a condição de herdeiro do grupo político dos Arraes, que governou Pernambuco por sete mandatos. O resultado da disputa será decisivo para estabelecer o tamanho político do candidato.



