O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e líderes da Europa, da África e da América do Norte defendem a reforma das instituições internacionais e o fortalecimento do multilateralismo. A proposta será formalizada nesta segunda-feira (21), em Nova York, durante a semana de alto nível da Assembleia Geral da ONU.
A iniciativa, chamada Partners for Multilateralism (P4M), ou Parceiros para o Multilateralismo, reúne Lula, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, o presidente do Quênia, William Ruto, e o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney. O grupo pretende criar uma plataforma aberta a países de diferentes regiões e tradições políticas.
A proposta prevê a formação de coalizões, a defesa de princípios comuns e a modernização do sistema internacional. Entre os objetivos estão tornar a ONU e outras instituições multilaterais mais representativas, legítimas, eficazes e confiáveis; ampliar a cooperação entre organizações regionais; contribuir para a paz e a segurança; e melhorar a governança econômica internacional.
Contradições da ordem internacional
Os quatro líderes afirmam que a cooperação entre os países deixou de ser apenas uma aspiração política e passou a ser uma necessidade prática. Eles reconhecem as críticas ao sistema multilateral, mas sustentam que a cooperação continua necessária e que instituições desconectadas das relações internacionais atuais têm dificuldade para preservar a legitimidade.
O diagnóstico apresentado no artigo contrapõe a conexão crescente entre economias, sociedades e tecnologias à fragmentação e à polarização geopolítica. O comércio mundial alcançou US$ 35 trilhões no último ano, enquanto cerca de 6 bilhões de pessoas estão conectadas à internet. Ao mesmo tempo, 2025 registrou 65 conflitos armados envolvendo Estados, o maior número desde 1946, e os gastos militares globais chegaram a US$ 2,9 trilhões.
Mudanças climáticas, inteligência artificial, pandemias, instabilidade financeira, conflitos e vulnerabilidades das cadeias globais são apontados como desafios que nenhum país consegue enfrentar isoladamente, independentemente de seu poder econômico ou militar.
O P4M não pretende criar um bloco geopolítico nem uma estrutura burocrática paralela. A intenção é estabelecer um mecanismo flexível para aproximar países que divergem em diferentes temas, mas compartilham princípios da Carta das Nações Unidas.
A iniciativa reafirma a igualdade soberana entre os Estados, a integridade territorial, a solução pacífica de controvérsias, o respeito ao direito internacional, o desenvolvimento sustentável e os direitos humanos. O lançamento em Nova York deve ampliar a adesão à plataforma e discutir caminhos para a modernização das instituições multilaterais.
Lula chegou a Nova York neste domingo (20) para participar da Assembleia Geral. Na terça-feira (22), fará o discurso de abertura do Debate Geral da ONU. O multilateralismo, a reforma da governança internacional e a defesa da soberania estão entre os temas previstos para a fala.



