Mensagens encontradas pela Polícia Federal mostram contato entre o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro e o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, durante a tramitação de um processo envolvendo o também ex-governador Sérgio Cabral.
Os diálogos foram divulgados após a queda do sigilo do caso Master, que revelou documentos de investigações sobre possíveis irregularidades em investimentos do RioPrevidência no Banco Master. Castro aparece como um dos alvos dessas apurações.
A conversa ocorreu em 11 de novembro de 2022. Às 19h37, Castro escreveu a Mendonça: “Amigo, preciso falar”. Na sequência, enviou dois arquivos relacionados a pedidos de habeas corpus e alvará de soltura de Cabral.
Às 20h25, Mendonça identificou o processo e afirmou: “ligo em alguns minutos”. Sete minutos depois, o ministro enviou um link da página do Supremo sobre o habeas corpus.
Processo de Cabral
O caso tratava da prisão preventiva de Sérgio Cabral, decretada em 2016 no âmbito da Operação Lava Jato. Mendonça havia pedido vista do processo e devolveu os autos para julgamento em 28 de novembro de 2022.
Em dezembro daquele ano, o ministro votou pela soltura do ex-governador, sob o argumento de excesso de prazo na prisão preventiva. Depois, o STF decidiu, por maioria, revogar a prisão, e Cabral passou a cumprir prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica.
Relação com o caso Master
A divulgação das mensagens ocorreu junto com documentos sobre decisões de Mendonça em investigações contra Castro. Em julho de 2026, o ministro negou um novo pedido da Polícia Federal para realizar buscas contra o ex-governador no inquérito sobre possíveis irregularidades envolvendo o RioPrevidência e o Banco Master.
A Polícia Federal apontava risco de ocultação de provas, enquanto a Procuradoria-Geral da República havia se manifestado a favor das buscas. Mendonça afirmou que não havia elementos suficientes para autorizar a medida.
O gabinete do ministro negou que exista relação de amizade com Castro e afirmou que as decisões judiciais são tomadas exclusivamente com base nos autos. Castro também negou ter feito pedidos relacionados a processos judiciais e disse que os contatos com Mendonça sempre tiveram caráter institucional.



