Selos reais encontrados no Egito indicam que Meretneith exerceu autoridade equivalente à de um monarca masculino há 5.000 anos. A governante pode ter sido a primeira mulher a assumir o comando pleno da civilização egípcia, mais de um milênio antes de Sobekneferu, tradicionalmente considerada a rainha mais antiga, de quase 4.000 anos atrás.
A identificação aparece em um estudo publicado na revista Prague Egyptological Studies. Pesquisadoras da República Tcheca e da Romênia analisaram tampas de barro da necrópole de Saqqara com técnicas de imagem digital. O procedimento permitiu isolar hieróglifos, inverter cores e converter fotografias em gráficos de alto contraste, tornando visível o nome de Meretneith nas impressões oficiais.
Marcas de autoridade
No Antigo Egito, os selos reais eram reservados a quem detinha o poder soberano supremo. A presença do nome da governante nesses símbolos sustenta a interpretação de que ela ocupou uma posição real e faz de Meretneith a segunda mulher da Primeira Dinastia com registro formal nos símbolos oficiais do Estado egípcio.
Outras evidências reforçam essa leitura. O túmulo de Meretneith, na necrópole de Abidos, tem dimensões e estrutura associadas a um governante real. No local, arqueólogos encontraram centenas de recipientes de vinho, monumentos gravados e dezenas de câmaras auxiliares destinadas ao sepultamento de seus servos.
Trajetória no poder
Meretneith permaneceu na elite política por cerca de 30 anos. Ela começou como co-regente ao lado do rei Djer, possivelmente seu pai, e depois assumiu o comando do país como regente durante a infância de seu filho.
Nesse período, manteve o controle administrativo das finanças públicas do Reino e liderou funcionários do antigo império. Registros de governantes posteriores preservaram sua lembrança, enquanto sua atuação política se ajustava às necessidades do Estado. A pesquisa aponta que seu papel ultrapassou o título de mãe do rei e incluiu a condução do Egito em um período de transição.



