LIMA — A Terceira Mesa-Redonda China-América Latina e Caribe sobre Direitos Humanos reuniu quase 200 participantes na terça-feira (15), em Lima, no Peru. O encontro teve como tema “Multilateralismo e Direitos Humanos” e contou com altos funcionários, especialistas, acadêmicos e representantes de organizações sociais, veículos de comunicação e centros de pesquisa da China e de países latino-americanos e caribenhos.
Na abertura, Ma Huaide, presidente da Universidade Renmin da China e um dos organizadores, afirmou que a governança global dos direitos humanos enfrenta déficits e desafios. Ele criticou o uso de intervenção armada e sanções unilaterais por alguns países e defendeu a reforma da governança internacional.
Ma também disse que a adoção de um multilateralismo genuíno se tornou uma aspiração compartilhada entre países em desenvolvimento. Para ele, a reunião busca contribuir para o enfrentamento de desafios geopolíticos e para a construção de um sistema de governança dos direitos humanos mais justo e equitativo.
Desenvolvimento, tecnologia e segurança
Gustavo Pacheco, presidente fundador do Instituto de Estudos Políticos Internacionais do Peru, destacou a retirada de centenas de milhões de pessoas da pobreza pela China e a eliminação da pobreza extrema. Ele afirmou que o resultado merece maior reconhecimento da comunidade internacional.
Pacheco defendeu a rejeição à guerra e afirmou que o direito à vida é o principal direito humano. Também disse que os direitos humanos devem abranger o acesso à ciência e à tecnologia e aos benefícios do progresso tecnológico. Segundo ele, a Iniciativa Global de Governança de IA da China amplia o acesso à tecnologia e cria oportunidades para um futuro compartilhado.
O embaixador da China no Peru, Song Yang, afirmou que China e América Latina compartilham a busca por bem-estar, desenvolvimento e progresso. Ele apontou a segurança, o desenvolvimento e ações concretas de proteção como três aspectos centrais.
Song citou a redução da pobreza, o uso da ciência e da tecnologia na segurança pública e o projeto do Porto de Chancay, que criou empregos locais. Também afirmou que a China apoiou a construção do Centro Nacional de Operações de Emergência do Peru e ajudará a modernizar a instalação para prevenção e mitigação de desastres relacionados ao El Niño.
O embaixador mencionou ainda a criação de uma Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial e a aplicação do modelo de IA Mazu para alertas antecipados de desastres.
Novas iniciativas
A reunião lançou o Plano de Ação de Pesquisa Acadêmica China-América Latina e Caribe sobre Direitos Humanos 2026-2030. Um comitê de especialistas foi formado para atuar junto à Rede de Cooperação em Pesquisa sobre Direitos Humanos China-América Latina e Caribe, que também entregou certificados aos novos integrantes.
A rede divulgou projetos conjuntos de pesquisa para 2026-2027. Durante a tarde, três fóruns discutiram desenvolvimento pacífico, cooperação prática e intercâmbios entre civilizações na área de direitos humanos.
A primeira mesa-redonda foi realizada no Rio de Janeiro, a segunda em São Paulo e a terceira em Lima. O número de países participantes passou de 17 para 23, enquanto a presença aumentou de mais de 130 representantes para quase 200. As discussões também passaram a incluir temas abrangentes, como multilateralismo e governança global dos direitos humanos.



