Daniel Munduruku afirma que a eleição de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência seria uma calamidade para os povos indígenas e para outras minorias. A declaração foi dada em entrevista realizada na terça-feira (8).
O escritor, vereador em Lorena (SP) e candidato a deputado federal pelo PDT diz que Flávio Bolsonaro não entende da temática indígena e representa estereótipos e preconceitos contra esses povos. Munduruku também declara que pretende atuar para impedir a eleição do candidato, considerando não apenas os direitos indígenas, mas a continuidade de avanços sociais e de políticas públicas.
Para a liderança, essas políticas devem continuar para que os povos indígenas e outras minorias avancem e sejam valorizados na sociedade brasileira. Ele também afirma acompanhar, ainda que não diretamente, a crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF).
Atuação política
Munduruku defende o fortalecimento da democracia e da soberania brasileira. Ele afirma que sua atuação reúne diferentes pautas e que não pretende se limitar à questão indígena.
Caso seja eleito para a Câmara dos Deputados, o candidato diz que terá quatro pilares de atuação: cultura, educação, meio ambiente e povos indígenas. Segundo ele, essas áreas são interdependentes. O meio ambiente é apontado como uma prioridade por garantir a continuidade da existência humana.
Entre as propostas mencionadas está o aprimoramento das políticas públicas de proteção ambiental e a aplicação da justiça ambiental. Munduruku também relata sua participação no movimento Indígenas em Movimento, formado por pessoas que atuam em diferentes segmentos da sociedade, inclusive em contextos urbanos e fora dos territórios indígenas.
Literatura e direitos indígenas
Autor de mais de 60 livros, Munduruku afirma que completa 30 anos desde o lançamento de sua primeira obra. Para ele, a literatura contribui para transformar a visão da sociedade brasileira sobre os povos indígenas.
O escritor também relaciona a participação indígena na sociedade brasileira à Constituição de 1988. Ele afirma que, antes do reconhecimento constitucional, os indígenas eram considerados brasileiros em processo de integração e precisavam deixar de ser indígenas para serem reconhecidos como brasileiros.
Munduruku diz que pretende levar esse debate ao cenário nacional de forma mais qualificada.



