A Polícia Federal conclui que Daniel Vorcaro se preparava para deixar o país antes de ser preso pela primeira vez, em novembro de 2025. A conclusão aparece em processos relacionados ao caso Master que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça tornou públicos.
Segundo os investigadores, Vorcaro monitorava as apurações contra ele desde meados de 2025 com auxílio de pessoas em órgãos como o Ministério Público da União, a polícia e o Banco Central. A PF também afirma que ele dava ordens à chamada Turma, grupo apontado como responsável por intimidar desafetos, retirar reportagens consideradas prejudiciais e acessar dados de investigações sigilosas.
Em um dos documentos, os investigadores afirmam que os elementos reunidos indicam uma rede de influência em benefício de Vorcaro e são compatíveis com a preparação de uma fuga. A PF classifica as condutas analisadas como monitoramento indevido de autoridades, obstrução à Justiça e risco concreto de evasão.
Conversas antes da prisão
Mensagens trocadas em 17 de novembro de 2025, data em que Vorcaro seria preso, são usadas pela PF para sustentar a conclusão. Na conversa com o então advogado Walfrido Warde, o ex-banqueiro cobra uma posição junto ao juiz Ricardo Leite e diz estar preocupado.
Os investigadores destacam a sequência de mensagens sobre deslocamento aéreo, mudança de roteiro, horários de voos e pedidos de atualização pouco antes da operação. Para a PF, esse conteúdo indica que Vorcaro tinha conhecimento de que medidas seriam tomadas contra ele.
A investigação também aponta que o ex-dono do Master levantava informações sobre agentes públicos envolvidos no caso e sobre Ricardo Leite, responsável por decretar sua primeira prisão. Ainda conforme a PF, a divulgação da suposta venda do banco ao exterior serviria para justificar viagens para fora do Brasil.
STF analisa investigação contra Moraes
O Plenário do STF realiza uma sessão extraordinária às dez horas da manhã de terça-feira, 15 de setembro, para decidir se abre investigação criminal contra o ministro Alexandre de Moraes. A sessão ocorre por ordem do presidente da Corte, Edson Fachin.
O material tornado público por André Mendonça inclui mensagens de Vorcaro destinadas a Moraes. O conjunto reúne mais de 50 conversas e pedidos relacionados a orientações jurídicas, contatos com investigadores e à possibilidade de deixar o país antes da prisão.



