A Polícia Federal identificou indícios de que funcionários do Banco Master produziram e manipularam documentos usados para sustentar operações de cessão de créditos ao Banco de Brasília (BRB). O material inclui uma apresentação interna do banco, apreendida na Operação Compliance Zero e localizada no acervo digital entregue pelo liquidante da instituição.
O documento descreve etapas de extração de dados de clientes, geração, assinatura e envio de arquivos. Segundo a PF, informações do CredCesta foram usadas para criar em massa Cédulas de Crédito Bancário (CCBs), procurações e termos de consentimento.
Um dos casos envolve o gerente Allan da Silva Machado, que teria usado uma planilha e a mala direta do Word para gerar 2.700 procurações. Os arquivos foram armazenados em uma pasta identificada como “Demanda BRB-Tirreno 2700 amostras”. Para os investigadores, o lote pode ter originado documentos incluídos em uma amostra de 1.785 contratos enviada ao BRB como prova de créditos atribuídos à Tirreno.
Mensagens e documentos
A investigação também analisa mensagens sobre comprovantes de transferência e termos de consentimento. Allan pediu à tesouraria Romy Goerck Gentina Klenquen comprovantes sem números de contrato nem histórico. A PF classificou o episódio como provável emissão de comprovantes de transação manipulados.
Em outra conversa, Allan orientou Moacir Lourenço da Silva Junior, da área de tecnologia, a excluir a data de um documento. Um termo indicava celebração em 21 de janeiro de 2025, mas a assinatura eletrônica ocorreu em 20 de junho do mesmo ano.
A Deloitte, responsável pela auditoria externa das carteiras, também apontou divergências. O diretor Alberto Felix de Oliveira Neto orientou Fabrizio Pereira Alencar, coordenador de controles, a atribuí-las a um “erro operacional”. Os contratos citados pertenciam à carteira da Tirreno e abrangiam o período de dezembro de 2024 a março de 2025.
Operações investigadas
A Operação Compliance Zero investiga a emissão de títulos de crédito falsos por instituições do Sistema Financeiro Nacional. O Master emitiu R$ 50 bilhões em CDBs e prometeu rentabilidade de até 140%. O BRB desembolsou R$ 12,2 bilhões na compra de créditos do Master, segundo as investigações, sem documentação adequada.
A perícia analisou R$ 47,78 bilhões em operações entre as instituições. Desse total, R$ 31,74 bilhões correspondiam à venda de carteiras de crédito pelo Master ao BRB. Os peritos apontaram pagamentos anteriores à conclusão de análises técnicas, pareceres finalizados após a liberação de recursos e compras divididas para permanecer dentro do limite de decisão da diretoria.
Para a PF, a repetição dessas práticas apresenta elementos compatíveis com gestão fraudulenta, e não apenas com gestão temerária.



