A Polícia Federal investiga se recursos ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro financiaram despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. A apuração verifica se os valores foram destinados à produção do filme “Dark Horse” ou se essa finalidade foi usada apenas para justificar as transferências.
Os investigadores analisam se o dinheiro foi aplicado no projeto audiovisual, se houve desvio de finalidade e se parte dos recursos custeou a permanência de Eduardo Bolsonaro no país. Também tentam esclarecer o papel do senador Flávio Bolsonaro (PL) nas negociações e o destino final dos valores. Flávio é pré-candidato à Presidência da República.
A investigação considera o fluxo financeiro essencial para dimensionar as conexões políticas e financeiras relacionadas a Vorcaro, dono do Banco Master.
Na quarta-feira (13), mensagens entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro vieram a público. Nas conversas, o senador cobra verbas prometidas para financiar “Dark Horse”, produção internacional sobre a trajetória de Jair Bolsonaro, com estreia prevista no Brasil em setembro.
Valores sob análise
Dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) indicam que a empresa Entre Investimentos teria intermediado repasses de Vorcaro para o filme. A empresa recebeu R$ 159 milhões de fundos investigados pela PF e ligados ao banqueiro.
Ainda não há informação sobre quanto foi efetivamente destinado ao filme ou à produtora. O acordo previa R$ 124 milhões, dos quais R$ 61 milhões foram pagos por Vorcaro.
A hipótese de que recursos do Banco Master bancaram Eduardo Bolsonaro foi levantada pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), em vídeo publicado no Instagram nesta quinta-feira (14). Ele afirmou que “o filme era um código quando Flávio Bolsonaro falava com ele [Daniel Vorcaro]”.
Lindbergh também declarou que US$ 2 milhões teriam saído de Vorcaro para um fundo no Texas associado ao advogado de Eduardo Bolsonaro. O ex-deputado mora no Texas. Eduardo Bolsonaro não comentou o caso.



