A decisão de Luiz Inácio Lula da Silva de assinar uma Medida Provisória para proibir as bets no Brasil provoca divergências entre integrantes do governo que participaram da regulamentação das casas de apostas no início da gestão petista.
Esse grupo avalia que o presidente tomou a decisão por impulso e sob influência das eleições e da primeira-dama Rosângela da Silva, conhecida como Janja. Os integrantes também afirmam que a medida não deve solucionar a ludopatia nem o endividamento dos apostadores, problemas apresentados pelo Planalto como justificativas para a proibição.
O texto da Medida Provisória relaciona o transtorno do jogo a problemas de saúde e afirma que as apostas online se tornaram uma demanda crescente nessa área. Entre os efeitos citados estão ansiedade, depressão, perda de controle, alterações no sono e no humor, conflitos familiares, isolamento e prejuízos às relações pessoais e profissionais. O documento também menciona maior uso de álcool e outras drogas.
Monitoramento no Planalto
A Casa Civil criou um gabinete de crise para acompanhar a situação das bets. O grupo se reúne diariamente no Palácio do Planalto, em encontros que incluem discussões acaloradas.
Um integrante do governo contrário à decisão afirma que 30.000 novos sites de apostas foram criados e já operam mesmo depois da determinação de Lula. Para essa ala, o presidente também assumiu um conflito desnecessário com emissoras de televisão e clubes de futebol patrocinados pelas bets, perto do primeiro turno das eleições.
A avaliação defendida no Planalto é que o anúncio da proibição pode ajudar Lula a ampliar a vantagem sobre Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pela Presidência. Pesquisa do Datafolha divulgada na quinta-feira indica que 78% da população apoia o fim das bets.



