Tribunais Regionais Eleitorais impugnaram 22 candidaturas em cinco estados por suspeita de envolvimento com organizações criminosas. Os casos estão em São Paulo, Rio de Janeiro, Paraíba, Bahia e Amapá, e ocorrem após orientação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para ampliar a análise sobre possíveis vínculos entre candidatos e facções.
Nas eleições de domingo, 4 de outubro, 20 742 candidatos disputam vagas nas câmaras estaduais e na Câmara dos Deputados. As candidaturas questionadas ainda podem chegar às urnas porque os interessados têm direito a recorrer. Se as decisões forem mantidas, porém, os votos poderão ser anulados.
O Rio de Janeiro concentra 15 dos vetos. Entre os candidatos barrados estão João Drumond (PRD), neto do bicheiro Luizinho Drumond; Cristiano Hermógenes (Avante), irmão de Marcinho VP; e Mariana de Souza (PP), apontada nos autos como esposa de um líder de facção. Os três negam envolvimento com organizações criminosas e afirmam que não há provas para impedir as candidaturas.
O presidente do TRE do Rio de Janeiro, Claudio de Mello Tavares, afirma que “O crime organizado não terá candidato deferido”. O tribunal também transferiu 72 locais de votação em vinte cidades por questões de segurança, medida que afeta ao menos 200 000 eleitores.
Critérios e casos nos estados
As impugnações alcançam pessoas que não têm condenação em segunda instância e, portanto, não se enquadram nos critérios tradicionais de inelegibilidade da Lei da Ficha Limpa. As decisões usam como base a Constituição Federal, que impede partidos de manter integrantes de organizações paramilitares em seus quadros.
O entendimento ganhou força em 2024, quando o TSE barrou a candidatura de Fabinho Varandão à Câmara Municipal de Belford Roxo por envolvimento com milicianos. Parte da comunidade jurídica alerta para o risco de que o critério atinja moradores de periferias. Sidney Sá das Neves, presidente da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político, diz: “Um candidato não pode ser impugnado só porque mora na favela.”
Em São Paulo, a Procuradoria Eleitoral usa denúncias já recebidas pela Justiça para analisar os registros. Ney Santos (Republicanos) e Emerson Dias Rocha (Podemos) foram impugnados sob acusação de lavar dinheiro para o PCC. Na Bahia, o deputado estadual Binho Galinha (Avante) tenta a reeleição mesmo preso preventivamente desde 2025, sob suspeita de chefiar uma quadrilha.



