A jornalista Maria Ressa afirma que a inteligência artificial pode retirar a autonomia das pessoas se não forem criadas leis para limitar seu desenvolvimento. Vencedora do Nobel da Paz em 2021, ela considera que a evolução da tecnologia representa um problema de segurança pública.
Em entrevista à Reuters, Ressa defende campanhas da população pela regulamentação da IA, com o objetivo de pressionar políticos a aprovarem novas leis. “Vai sair do nosso controle se não agirmos agora”, afirma.
As três fases apontadas por Ressa
Para a jornalista, a evolução da IA passa por três fases. A primeira é o avanço das redes sociais, que capturam a atenção, aumentam a polarização e isolam as pessoas. A segunda envolve a biologia, com o uso de chatbots para explorar a intimidade e manipular necessidades de atenção.
A terceira fase é o comprometimento da autonomia humana por modelos de fronteira, sistemas de IA considerados superpoderosos. Essas ferramentas, segundo Ressa, podem criar máquinas que simulam pessoas e atuam em nome delas. A jornalista também afirma que a IA não é uma tecnologia nova e existe há 70 anos.
Ressa diz que as empresas do setor precisam responder pelos efeitos de seus produtos. No último mês, a União Europeia e os Estados Unidos registram novos avanços na regulamentação da IA e mudanças nas redes sociais, principalmente para proteger jovens.
Nos Estados Unidos, a Meta é obrigada a alterar elementos de design e algoritmos para impedir que crianças sejam prejudicadas por sua tecnologia. Ao mesmo tempo, executivos do setor pedem tempo para desenvolver medidas de segurança compatíveis com o avanço das IAs, que já provocam controvérsias, como invasões de sites e sistemas durante testes fechados.
A jornalista considera positivas as iniciativas da União Europeia, mas afirma que elas não enfrentam o problema central: o caráter viciante das redes e das ferramentas de IA também entre adultos. “Sabemos que é perigoso, então devemos retirar as características viciantes não só para os adolescentes, mas para todos nós”, disse.



