Marvel’s Wolverine chega ao PlayStation 5 com uma combinação de qualidades e problemas que impede o jogo de repetir o impacto da série Marvel’s Spider-Man. A produção da Insomniac Games traz uma nova campanha solo para o personagem, mas aposta em soluções que geram debates entre os jogadores.
O lançamento também representa o retorno de Wolverine como protagonista de um jogo próprio. O último título solo do mutante saiu em 2009, e passaram-se 17 anos sem uma campanha dedicada ao personagem nos videogames. Nesse período, ele apareceu em participações, como em Marvel Ultimate Alliance 3.
Entre os acertos está o combate. Apesar dos sentidos aguçados e do fator de cura facilitarem parte da jornada, as hordas de inimigos apresentam combinações perigosas. As disputas exigem mais do jogador, especialmente para quem busca as maiores pontuações, acima de 20 mil ou 40 mil pontos.
Os gráficos também se destacam. Trajes, cenários e efeitos visuais recebem atenção e ajudam a apresentar Wolverine em uma produção compatível com os trabalhos anteriores da Insomniac Games. A caracterização dos personagens, porém, não alcança o mesmo nível.
A obra ainda abre espaço para os X-Men nos videogames. Embora o grupo não apareça no jogo, a história coloca os mutantes em uma posição favorável para receber uma produção de grande escala, depois de aventuras baseadas nos Vingadores, nos Guardiões da Galáxia e nos Filhos da Meia-Noite.
Críticas à fórmula e à apresentação
A linearidade é um dos principais problemas apontados. O jogo apresenta caminhos retos e poucas alternativas para o protagonista, levando o jogador de um ponto ao outro com pouca variação. A estrutura inclui combate, avanço contínuo e conclusão da história sem grandes mudanças no percurso.
A aventura também recorre a perseguições, ao combate inspirado em Batman Arkham e a outros padrões comuns em jogos de super-heróis. Mesmo com uma história original, a repetição de fórmulas pode provocar cansaço em quem já conhece o gênero.
Outro ponto de discussão é a representação de Logan. O personagem enfrenta inimigos com violência, mas assume uma postura mais sensível diante de Jean Grey. Essa mudança de comportamento é vista como destoante da brutalidade apresentada em outras partes da campanha.
Os recursos visuais ligados aos sentidos de Wolverine também provocam incômodo. Rastros, caixas de itens iluminadas e outros elementos aparecem de forma muito evidente na tela. Em vez de apenas orientar, esses estímulos podem atrapalhar a leitura durante a partida.
Assim, Marvel’s Wolverine oferece combates exigentes, gráficos elaborados e uma oportunidade de ampliar a presença dos X-Men nos jogos, mas perde força com a linearidade, os clichês e escolhas visuais que dividem opiniões.



