A Nintendo acumula episódios incomuns em seus 137 anos de história. Antes e depois de se consolidar na indústria dos jogos, a companhia japonesa administra negócios variados, enfrenta disputas judiciais e toma decisões que geram controvérsia entre jogadores.
Negócios e tribunais
Durante os anos 1960, a empresa investe em um “love hotel”, equivalente a um motel, em Kyoto, enquanto tenta escapar de dificuldades na produção de cartas de baralho. A Nintendo também administra uma frota de táxis e vende arroz instantâneo, mas encerra a operação do motel após entender que o negócio não era o caminho correto.
No início dos anos 1980, a Universal Studios leva a fabricante à Justiça por entender que Donkey Kong é promovido como uma paródia de King Kong. O advogado John Kirby atua no caso e usa um argumento que o próprio estúdio havia apresentado anteriormente: o gorila está em domínio público. A Nintendo vence a ação e homenageia o jurista ao batizar um personagem com o nome Kirby.
Sangue, luvas e televisores
Em Mortal Kombat (1993), a Nintendo troca o sangue por uma cor cinza, sob a justificativa de que o efeito representa suor. A SEGA libera o sangue por meio de um código, e o jogo vende muito mais no Mega Drive do que na plataforma da concorrente. O caso também ocorre no período em que a classificação indicativa dos games é criada.
Os minigames de Mario Party (1999) provocam bolhas, queimaduras por fricção e, em certos casos, danos nos nervos das mãos de crianças. Um procurador de Nova York leva a questão aos tribunais, e a Nintendo firma um acordo para gastar US$ 80 milhões na produção e distribuição de luvas.
No auge do Nintendo Wii, alças do controle se rompem durante partidas de Wii Sports e fazem o periférico atingir televisores. A empresa realiza um recall de Wii Remote, com alças reforçadas e capas de silicone para reduzir os danos.
Campanhas e decisões curiosas
Após Super Mario 3D Land (2011), a PETA acusa a Nintendo de apresentar um personagem que supostamente esfolava cães e guaxinins para usar as peles no jogo. A organização cria a campanha e o jogo em flash Mario Kills Tanooki. Em nota, a companhia afirma que a transformação é lúdica e não apoia a caça de animais.
As fitas de Switch recebem benzoato de denatônio, composto químico amargo, para evitar que crianças pequenas e bebês coloquem os cartuchos na boca. A medida vira um desafio online nas redes sociais, com pessoas lambendo as fitas para testar o sabor.
Em New Super Mario Bros U. Deluxe (2019), a Super Crown transforma Toadette em uma versão semelhante à Princesa Peach. A internet cria Bowsette, uma forma feminina do vilão usando o item. A Nintendo não canoniza a personagem e inclui no jogo a frase: “Desculpe Luigi, apenas Toadette pode usar este item!”.



