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Biografias de Brizola e Lacerda reconstituem a polarização política brasileira

Livros de Karla Monteiro e Mário Magalhães narram trajetórias opostas e conectadas a crises decisivas do Brasil.

Biografias de Brizola e Lacerda reconstituem a polarização política brasileira

Duas novas biografias reconstituem as trajetórias de Leonel Brizola e Carlos Lacerda, políticos que atuaram entre a Era Vargas e a Ditadura Civil-Militar de 1964. Publicados pela Companhia das Letras, os livros apresentam os dois personagens como protagonistas de um mesmo período de conflitos políticos intensos.

Brizola, nascido no interior do Rio Grande do Sul, perdeu o pai aos dois anos, mudou-se sozinho para Porto Alegre aos treze e trabalhou como engraxate antes de se formar engenheiro civil. Lacerda abandonou o curso de Direito em 1932, após se envolver com a política estudantil. Os dois se destacaram como oradores e conquistaram projeção pelo rádio.

Karla Monteiro, autora de Brizola, Lobisomem Contra o Império, pesquisou arquivos de órgãos de inteligência dos Estados Unidos e afirma que conseguiu reconstituir parte da vida do político por meio desses registros. Mário Magalhães, biógrafo de Lacerda, Coração de Tempestade, teve acesso a 1.475 documentos secretos da CIA, do Departamento de Estado e do Departamento de Defesa dos EUA.

Crises e confrontos

A atuação de Lacerda aparece ligada à crise de 1954, ao atentado da rua Tonelero e ao suicídio de Getúlio Vargas. O livro sustenta que o tiro que atingiu o pé de Lacerda foi acidental, disparado por ele ou por sua escolta, e que o político ocultou essa informação.

Em 1961, Lacerda também foi apontado como um dos responsáveis pela renúncia de Jânio Quadros e pelo impasse sucessório. A crise levou Brizola, então governador do Rio Grande do Sul, a organizar a resistência civil em Porto Alegre durante a Campanha da Legalidade e a defender a posse de João Goulart.

Para Karla Monteiro, a polarização daquele período era mais concreta do que a atual: “brizolistas e lacerdistas se enfrentavam na Cinelândia a pau”. O golpe de 1964 levou Brizola ao exílio. Antes disso, segundo a biógrafa, ele manteve contato com Che Guevara, que teria oferecido ajuda para organizar uma guerrilha no Brasil.

Lacerda apoiou o golpe, mas depois se arrependeu e participou de uma frente ampla com João Goulart e Juscelino Kubitschek. Os três morreram em menos de um ano, sendo Lacerda o último, em 1977. No mesmo ano, Brizola foi expulso do Uruguai e buscou asilo nos Estados Unidos.

Legados

Mário Magalhães afirma que o legado de Lacerda continua presente em posições políticas opostas. “Não sou advogado de Carlos Lacerda nem, contra ele, promotor”, diz o biógrafo, que descreve o livro como um relato para que os leitores formem o próprio juízo.

Para Karla Monteiro, a principal marca de Brizola é a educação. Ela destaca o projeto Nenhuma Criança Sem Escola, no Rio Grande do Sul, e os CIEPs, construídos no Rio de Janeiro no final dos anos 1980, quando ele era governador.

As biografias mostram como as vidas de Lacerda e Brizola se contrapõem e, ao mesmo tempo, se confundem com a história brasileira. Para Antônio Callado, os dois eram líderes magnéticos e pareciam “como dois irmãos”, embora também representassem lados políticos opostos.

Texto produzido pela Redação Fato em Curso com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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