O Conselho Superior do Ministério Público Federal (MPF) analisa nesta semana a atuação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, nos casos relacionados ao Banco Master. Uma sessão extraordinária está marcada para sexta-feira (25), às 10h, para avaliar menções ao procurador-geral em mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
A análise busca verificar se o material obtido pela Polícia Federal apresenta circunstâncias que possam comprometer a imparcialidade de Gonet na condução dos procedimentos. A abertura de uma investigação dependerá da avaliação do relator, o subprocurador-geral Francisco de Assis Sanseverino, sobre a existência de indícios de irregularidade.
Mensagens e defesa de Gonet
O procedimento foi instaurado no início de setembro, após representação de parlamentares do Partido Novo. Eles pedem o afastamento de Gonet dos casos envolvendo o Banco Master e a transferência da atuação para outro integrante da Procuradoria-Geral da República.
O material analisado pela Polícia Federal registra pelo menos duas menções a Gonet. Em uma conversa atribuída a Vorcaro e ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, o ex-banqueiro escreveu: “Não podemos reverter isso com Paulo e Andrei”. Investigadores interpretam “Paulo” como referência a Gonet e “Andrei” como menção ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
O relatório também aponta que o advogado Ciro Soares, que atuou na defesa do Banco Master, teria intermediado contatos entre Vorcaro e Gonet. Soares enviou ao ex-banqueiro uma fotografia ao lado do procurador-geral com a mensagem: “Liga aqui. Ele quer falar com você”. Depois disso, foram identificadas chamadas consecutivas entre Vorcaro e o advogado.
Uma fotografia encontrada no celular de Vorcaro mostra Gonet ao lado do então banqueiro em um evento em Londres, em abril de 2024. A Procuradoria-Geral da República confirmou a autenticidade da imagem e afirmou que havia diversas autoridades no evento.
Gonet nega amizade ou proximidade com Vorcaro e afirma não ter interesse pessoal nos processos em que o ex-banqueiro figure como parte ou investigado. Ele diz que o único encontro presencial entre os dois ocorreu em Londres e classificou o contato como “brevíssimo e banal”.
A sessão não representa, por si só, a abertura de investigação. Sanseverino deverá avaliar as informações e indicar se há base para novas medidas. Gonet também pode ser ouvido. Quando o procurador-geral está diretamente envolvido, a presidência dos trabalhos cabe ao vice-presidente do colegiado, Nicolao Dino de Castro. As decisões são tomadas por maioria.



