SÃO PAULO — Os candidatos à Presidência Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missão) voltam a criticar a crise no Supremo Tribunal Federal (STF). Cury defende investigação contra o ministro Alexandre de Moraes e possibilidade de impeachment caso sejam comprovadas irregularidades. Renan afirma que a Corte se transformou em um espaço de disputa política entre grupos ligados ao petismo e ao bolsonarismo.
Durante um encontro na Genial Investimentos, Cury diz que autoridades devem ser investigadas independentemente do cargo. “Todos devem ser investigados, doa a quem doer, porque o Brasil precisa ser passado a limpo”, afirma.
O candidato também menciona o caso do Banco Master, classifica o episódio como uma “vergonha” e cobra rapidez na apuração das responsabilidades. Para Cury, as investigações precisam ser concluídas sem demora. Ele sustenta que Moraes deve continuar no cargo se não houver irregularidades comprovadas, mas sofrer impeachment caso elas sejam confirmadas.
“Até as últimas consequências, o doutor Alexandre de Moraes seja investigado”, declara Cury, ao dizer que sua posição não representa um julgamento antecipado.
Renan critica atuação do Supremo
Após um evento na Amcham, Renan Santos afirma que o STF deixou de tratar principalmente de Direito e passou a operar em torno do poder. O candidato diz que a Corte está em uma guerra política, com grupos associados ao petismo e ao bolsonarismo.
Renan avalia que o ministro André Mendonça vem tendo uma atuação melhor que a dos demais por expor publicamente um problema envolvendo integrantes do próprio Supremo. Na avaliação dele, a reação de Alexandre de Moraes ao posicionamento de Mendonça caracteriza uma disputa interna.
O candidato também critica a decisão do presidente do STF, Edson Fachin, que suspendeu decisões de Mendonça e Flávio Dino sobre o cargo do diretor da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues. Fachin também retirou Moraes do inquérito das fake news.
Para Renan, o Supremo se tornou um campo de batalha. Ele afirma que a Corte deve buscar uma composição com qualquer governo eleito, em razão das indicações que o próximo presidente fará ao tribunal. O candidato cita Flávio Bolsonaro e Lula ao projetar possíveis acordos políticos e relaciona a disputa ao caso do Banco do Brasil.



