EL-NAHUD — O desabamento da mina de ouro Al-Zaraa deixou 82 mineiros mortos e 52 feridos no sul do Sudão. O acidente ocorreu na terça-feira (15), perto da cidade de El-Nahud, em Kordofan Ocidental. Na manhã seguinte, dezenas de corpos já haviam sido recuperados.
Uma fonte das Forças de Apoio Rápido (RSF), grupo paramilitar que controla a região, informou que o número de mortes pode aumentar. Uma quantidade desconhecida de pessoas continua presa sob os escombros, enquanto as equipes de resgate trabalham com meios rudimentares.
O sobrevivente Khair al-Sayyed Jabara afirmou desconhecer quantos trabalhadores estavam dentro da mina quando ocorreu o desabamento. Ele também relatou dificuldades na operação de resgate: “Precisamos de máquinas pesadas para remover rochas e terra”.
Mineração em meio ao conflito
Os poços da mina começaram a desabar na terça-feira (15). A região é marcada pela mineração artesanal e de pequena escala, considerada perigosa. Os garimpeiros trabalham manualmente e usam ferramentas rudimentares em jazidas desativadas ou em áreas informais, como Al-Zaraa.
Desde o início da guerra entre o exército sudanês e as Forças de Apoio Rápido, em 2023, a indústria do ouro financia amplamente os esforços de guerra dos dois lados, junto com apoiadores estrangeiros. Com o avanço do conflito, muitos desempregados passaram a trabalhar nas minas.
O Sudão está entre os principais produtores de ouro da África. No ano passado, o país registrou produção de 70 toneladas, o maior nível em cinco anos. Autoridades afirmam que a maior parte do metal é contrabandeada pelas fronteiras sudanesas antes de chegar aos Emirados Árabes Unidos.
Em julho, a União Europeia proibiu a venda, a transferência e a exportação de mercúrio e cianeto para o Sudão por causa do uso dessas substâncias no comércio predatório do minério.



