André Mendonça, indicado por Jair Bolsonaro ao Supremo Tribunal Federal (STF), assumiu protagonismo em disputas recentes envolvendo a Corte, Alexandre de Moraes e a Polícia Federal. Hoje, terça-feira (08), determinou, em decisão monocrática, o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
Mendonça também determinou medidas relacionadas ao caso Master e retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal que contém mensagens envolvendo Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro. As decisões ocorrem em meio a um embate dentro do Supremo sobre a atuação de seus ministros e a autoridade institucional da Corte.
Trajetória até o STF
A indicação de Mendonça foi apresentada por Bolsonaro como a escolha de um ministro “terrivelmente evangélico”. O nome foi aprovado pelo Senado, e Michelle Bolsonaro comemorou publicamente a chegada dele ao Supremo.
Antes de integrar a Corte, Mendonça foi ministro da Justiça no governo Bolsonaro. Nesse período, apresentou um habeas corpus em favor de Abraham Weintraub perante o STF. A iniciativa provocou críticas por associar uma função institucional à defesa de um aliado político do então presidente.
A atuação de Mendonça no Supremo também inclui a defesa de Flávio Bolsonaro, mencionada no contexto das disputas políticas que envolvem o ministro indicado pelo ex-presidente.
A Constituição é apresentada como o parâmetro de atuação esperado de um ministro do STF, sem vinculação com o presidente responsável pela indicação, sua família, partidos ou grupos religiosos. O debate em torno de Mendonça envolve justamente os limites entre sua trajetória política anterior, sua identidade religiosa e as decisões tomadas no exercício do cargo.
Mendonça chegou ao Supremo cinco anos depois de sua indicação por Bolsonaro. Desde então, sua atuação passou a ser observada no contexto dos conflitos entre o ex-presidente e a Corte e, mais recentemente, das divergências internas que envolvem Alexandre de Moraes, a Polícia Federal e outros atores citados nas decisões.



