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André Singer defende agenda própria da esquerda dentro da aliança democrática

Cientista político propõe enfrentar a austeridade, revisar regras fiscais e pressionar por juros menores sem romper a coalizão em torno de Lula.

André Singer defende agenda própria da esquerda dentro da aliança democrática

O cientista político André Singer defende que a esquerda mantenha a aliança democrática formada em torno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas preserve uma agenda voltada aos trabalhadores. A proposta inclui enfrentar políticas de austeridade, revisar o arcabouço fiscal e pressionar pela redução dos juros.

A análise integra o livro Impasse, lançado pela Companhia das Letras, e foi apresentada em entrevista publicada neste sábado (19). Professor titular do Departamento de Ciência Política da Universidade de São Paulo (USP), Singer aponta uma tensão entre os grupos que compõem a coalizão que sustentou Lula nas eleições de 2022.

Disputa econômica dentro da coalizão

De acordo com a avaliação do pesquisador, a frente democrática reúne setores com interesses econômicos diferentes. Grupos mais poderosos defendem austeridade fiscal e menor presença do Estado, enquanto trabalhadores esperam uma melhora nas condições de vida semelhante à registrada nos primeiros governos Lula.

Para Singer, atender às demandas populares exige ampliar investimentos sociais, em um cenário de pressão de parcelas das elites econômicas pela contenção dos gastos públicos. Por isso, permanecer na aliança democrática não impede a disputa política em torno da economia.

Ele afirma que a esquerda deve se contrapor à política econômica neoliberal, com a defesa de mudanças nas regras fiscais e de juros mais baixos. A dificuldade de conciliar interesses divergentes, segundo o cientista político, pode desgastar a coalizão caso os trabalhadores não percebam avanços suficientes.

Participação dos trabalhadores

Singer também relaciona a estabilidade da democracia à organização política dos trabalhadores. Na avaliação dele, a resistência ao avanço de forças reacionárias depende da retomada de uma participação organizada dessa parcela da sociedade.

O pesquisador sustenta que o enfraquecimento desse engajamento pode afetar não apenas o desempenho eleitoral da esquerda, mas também a vitalidade da esfera pública e do próprio regime democrático. A proposta é manter a aliança, com atuação da esquerda dentro dela e programa e identidade próprios.

A tensão aparece ainda na disputa eleitoral de 2026. Singer observa famílias com renda entre dois e cinco salários mínimos e identifica oscilação eleitoral desse grupo entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL).

Singer foi porta-voz e secretário de imprensa da Presidência da República entre 2003 e 2007, durante os primeiros governos Lula. Também é autor de Os Sentidos do Lulismo, publicado em 2012, sobre mudanças na base social de apoio ao PT e aos governos liderados pelo partido.

Texto produzido pela Redação Fato em Curso com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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