Organizações evangélicas e movimentos cristãos progressistas declaram apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2026. Os grupos defendem uma atuação política associada à democracia, à justiça social e à proteção das pessoas mais vulneráveis.
Entre as entidades estão a Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, o Conselho Nacional das Comunidades Evangélicas (CONCE), a Associação das Igrejas e Templos Evangélicos de Médio e Pequeno Portes do Estado do Rio de Janeiro (AITEMPERJ), a Associação de Mulheres Evangélicas com Cristo e Pela Vida (Amevida), o Movimento Jesus Libertador e o Movimento Cristãos pela Democracia.
As organizações afirmam que o campo evangélico não tem uma única posição política. Nas cartas e manifestos divulgados, o apoio a Lula é apresentado como uma avaliação sobre quais projetos estariam mais próximos de valores cristãos, e não apenas como preferência partidária.
Democracia e autonomia
A Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito relaciona a escolha à defesa das instituições democráticas e dos direitos fundamentais. O movimento critica setores da direita e associa a candidatura do senador Flávio Bolsonaro a um projeto de autoritarismo e favorecimento dos mais ricos.
A entidade também cita a defesa da soberania nacional por Lula, especialmente no conflito comercial com os Estados Unidos. Para a Frente, a escolha envolve estabelecer uma posição contra forças que ataquem instituições, questionem resultados eleitorais ou estimulem a violência.
O apoio, porém, não é apresentado como adesão irrestrita ao governo. A Frente reivindica autonomia, diálogo e liberdade para fazer críticas.
O CONCE formaliza a decisão na Carta Pública Eleições 2026. O documento menciona defesa da vida, dignidade humana, justiça, paz, solidariedade e proteção das pessoas em situação de vulnerabilidade. A entidade afirma: “Apoiar não significa deixar de fiscalizar”.
Cartas e movimentos
Em carta aberta divulgada no dia 31 de agosto, AITEMPERJ, Amevida e Movimento Jesus Libertador também declaram apoio à reeleição de Lula. O documento cita políticas públicas de proteção social associadas ao governo, como o Bolsa Família e o Minha Casa Minha Vida, e relaciona essas ações ao amor ao próximo e à busca pela justiça.
O Movimento Cristãos pela Democracia – Ceará reúne cristãos de diferentes tradições, entre elas evangélicos, católicos, espíritas, adventistas e metodistas. Em uma carta nesta segunda-feira (07), o grupo declara apoio a Lula e a candidaturas aliadas no Ceará.
O movimento critica o uso das igrejas como palanques eleitorais e afirma que a fé cristã não deve ser usada para controlar consciências ou negociar votos. Ao mesmo tempo, sustenta que os cristãos não podem permanecer indiferentes diante da fome, da pobreza, da violência e das ameaças à democracia.
A mobilização representa uma disputa sobre o significado da presença evangélica na política. Esses grupos procuram afirmar que a defesa da democracia, dos direitos fundamentais, da soberania nacional e dos pobres também integra a agenda cristã.
As entidades dizem que apoiar um candidato não significa entregar a própria consciência nem abandonar a capacidade de fiscalização. A atuação pública desses movimentos busca ocupar espaço no debate eleitoral e contestar a ideia de que uma única corrente fala em nome dos evangélicos.



