CAMPINAS — A Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS) discute um modelo em que a indústria mantém a propriedade dos produtos nas gôndolas até a venda. A proposta reduz a necessidade de os supermercados comprarem e financiarem os estoques.
Chamado de “Retail as a Service”, o formato reúne práticas que já existem separadamente, como consignação, estoques administrados por fornecedores, retail media e venda de dados. A ideia é organizar esses mecanismos em uma mesma estrutura de negócio.
Mudança na remuneração
Com o modelo, os fabricantes assumem parte dos custos e dos riscos relacionados a perdas, vencimentos e produtos encalhados. Os supermercados passam a receber pela capacidade de gerar vendas, enquanto a indústria é remunerada pelas vendas efetivamente realizadas.
“A grande mudança está em migrar de margem comercial para receita de serviços”, afirma Rodrigo Segurado, vice-presidente-executivo comercial da ABRAS. Para ele, o fabricante passa a ser remunerado pela venda real, e o varejista, pela capacidade de gerar essa venda.
A proposta é discutida na 60ª ABRAS’26 Food Retail Future, em Campinas. A ABRAS informa que o varejo alimentar brasileiro fatura cerca de 1,145 trilhão de reais em 2025. Se avançar, o modelo pode transferir aos fornecedores uma parcela do dinheiro atualmente imobilizado nas prateleiras.



