SÃO BENTO DO SUL — A Condor projeta alcançar pela primeira vez R$ 1 bilhão em faturamento neste ano e pretende dobrar esse valor nos próximos cinco anos. A fabricante de utensílios de limpeza, pintura, beleza e higiene bucal atribui a estratégia de expansão à gestão profissional, à inovação e à diversificação de clientes.
A empresa familiar, fundada em 1929, completa três décadas de transição para uma administração profissional. Em 1996, Heinz Engel, então presidente e neto mais velho do fundador, Augusto Emílio Klimmek, deixou o cargo após trinta anos. Os herdeiros da terceira geração também saíram da gestão, em uma decisão apoiada por uma consultoria externa.
Atualmente, os representantes dos cinco núcleos familiares que controlam a empresa atuam no conselho de acionistas. Eles elegem o conselho de administração, mas não participam diretamente da gestão diária. A família recebe relatórios mensais sobre o desempenho da operação e pode indicar observadores para acompanhar as reuniões do conselho. São cerca de cinquenta herdeiros.
A governança passa por uma nova fase após a morte de Engel, em dezembro de 2025, aos 94 anos. A responsabilidade de zelar pela sociedade agora alcança os bisnetos do fundador. Desde a saída de Engel, a Condor teve cinco diretores-presidentes profissionais.
Crescimento e investimentos
O atual presidente, Alexandre Wiggers, assumiu o comando em 2012. Ele começou na empresa aos 16 anos e passou pelas áreas de contabilidade e finanças. Durante sua gestão, a Condor registrou o período de crescimento mais acelerado.
A divisão de produtos de limpeza profissionais, adquirida pouco antes da pandemia, passou de 13 milhões de reais anuais para 100 milhões de reais. No primeiro ano, as vendas da nova linha triplicaram. A empresa também manteve os demais negócios em expansão após a pandemia, com altas de 12% em alguns anos e de 6% em outros.
Para 2026, a Condor prevê manter o ritmo apesar dos juros elevados, do aumento no custo do polímero e do consumo mais fraco. Wiggers cita as apostas on-line e as canetas emagrecedoras como fatores que reduzem a renda disponível para bens de consumo não duráveis. Em 2025, os brasileiros perderam 65 bilhões de reais com bets, segundo estudo do Comitê Nacional de Secretários da Fazenda dos Estados e do Distrito Federal. Os gastos com canetas emagrecedoras chegaram a 10 bilhões de reais.
A empresa investirá 43 milhões de reais até o final do ano. Desse total, 23 milhões já foram destinados à compra do terceiro centro de distribuição. O restante será aplicado na revitalização da fábrica, na ampliação do portfólio, na logística, na segurança de dados e em trade marketing. O mercado externo responde atualmente por 7% das vendas.
Em abril de 2025, a Condor criou uma área de inovação ligada à diretoria financeira. A companhia também aposta na diversificação de clientes para continuar crescendo em um cenário de juros altos, inflação de insumos e orçamento mais limitado das famílias.



