SÃO PAULO — O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, defendeu nesta sexta-feira (25) a continuidade do projeto de desenvolvimento conduzido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). O discurso ocorreu durante um jantar em São Paulo com mais de 800 empresários e representantes dos setores financeiro e produtivo.
Organizado pelos grupos Prerrogativas, Esfera Brasil e Parlatório, o encontro promoveu o diálogo entre empresários e integrantes do governo. Mercadante apresentou o BNDES como instrumento de financiamento da política industrial e da transição ecológica. A atuação do banco, segundo ele, combina crédito direcionado, operações em condições de mercado e divisão de riscos entre o setor público e a iniciativa privada.
O presidente da instituição afirmou que o BNDES passou a ocupar papel central na estratégia de neoindustrialização do governo. Ele associou a agenda industrial à descarbonização da economia, à transição energética e a projetos de restauração florestal, reflorestamento e expansão de fontes de energia limpa.
Mercadante também defendeu o uso de recursos de setores estratégicos, incluindo o petróleo, para financiar investimentos de longo prazo e transformar a matriz produtiva brasileira. Na avaliação dele, tecnologias de fronteira exigem a divisão de riscos entre governos e empresas.
Minerais críticos e responsabilidade fiscal
Ao tratar de minerais críticos e terras raras, Mercadante afirmou que o Brasil deve agregar valor aos recursos no próprio país, em vez de se limitar à exportação de matérias-primas. Ele citou a Embraer como exemplo de indústria de alta tecnologia desenvolvida com planejamento estatal e participação empresarial.
O dirigente relacionou o domínio de cadeias produtivas estratégicas à soberania nacional e destacou a participação brasileira no Sul Global, nas negociações climáticas e em fóruns multilaterais. No campo econômico, defendeu a responsabilidade fiscal, mencionou os governos de Lula como referência de períodos de geração de superávits primários e elogiou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
Mercadante afirmou, porém, que o equilíbrio das contas públicas não deve ser atribuído apenas ao Executivo. Ele citou o impacto dos precatórios e o crescimento das emendas parlamentares sobre o orçamento federal e defendeu a divisão de responsabilidades entre os Poderes da República.
Defesa das instituições
Na parte final do discurso, o presidente do BNDES vinculou a agenda econômica à estabilidade institucional. Ele defendeu a continuidade da parceria entre Lula e Alckmin e convocou o empresariado a se posicionar em defesa das instituições e contra o extremismo e a violência política.
“Defender este projeto e a estabilidade democrática contra a barbárie do extremismo e das milícias é o dever histórico de quem pensa no futuro do nosso povo.”
Mercadante encerrou afirmando que o crescimento econômico sustentável depende da preservação da Constituição e do Estado Democrático de Direito.



