A Americanas espera deixar a recuperação judicial ainda em 2026, mas a saída depende de uma decisão judicial. O pedido foi antecipado no fim de março deste ano, e o prazo inicialmente estimado de quatro a cinco meses já foi ultrapassado.
O CEO Fernando Soares e o CFO Sebastien Durchon afirmam que a recuperação judicial deixou de pautar a rotina da companhia. “Para nós a recuperação judicial, eu diria, já é página virada”, disse Durchon.
A varejista conduz uma transformação no modelo de negócios, com redução da atuação baseada em estoque próprio e marketplace. A estratégia prioriza parcerias, como a firmada com o Magazine Luiza, além da integração entre lojas físicas e canais digitais.
Lojas e operação digital
A empresa deixou de separar os consumidores online e das lojas físicas. Com cerca de 50 milhões de clientes mensais no ecossistema, as unidades físicas passam a funcionar também como centros logísticos e comerciais para os clientes digitais.
Segundo Soares, em 2022 o e-commerce representava 54% da companhia, enquanto hoje a operação é 96% concentrada em lojas físicas. A empresa afirma que passou a fortalecer o modelo online to offline, usando as lojas como centros de apoio às compras digitais.
A Copa do Mundo teve efeitos distintos sobre o desempenho do segundo trimestre. Os jogos reduziram o fluxo nas lojas, principalmente em shoppings, mas aumentaram as vendas de snacks, bebidas e figurinhas. Apenas com figurinhas, a Americanas vendeu cerca de R$ 84 milhões.
O digital alcançou cerca de 30% dos produtos relacionados à Copa. Na Páscoa, essa participação havia ficado entre 8% e 9%. A experiência reforçou o uso do aplicativo e do site para compras com retirada nas lojas e aquisição de produtos adicionais durante a visita.
Resultados do segundo trimestre
A administração considera 2026 um ano de estabilização do caixa e consolidação da transformação. A companhia avalia iniciativas de inteligência artificial, uso de dados e novos formatos de lojas, mas mantém uma expansão seletiva.
Soares afirma que a Americanas inaugurou 5 ou 6 lojas neste ano, além de reinaugurações. A empresa também reduz o tamanho de algumas unidades, inclusive com a conversão de lojas de dois andares em operações de um único piso.
A varejista voltou a ser procurada para atuar como âncora de novos shoppings, como ocorreu recentemente em Aracaju, mas diz avaliar cada oportunidade com cautela.
No segundo trimestre, a Americanas registrou prejuízo líquido de R$ 274 milhões, ante R$ 98 milhões no mesmo período de 2025. O Ebitda ajustado ficou em R$ 145 milhões, queda de 51,5% na comparação anual. A receita líquida somou R$ 3,3 bilhões, recuo de 1,7%, enquanto as vendas em mesmas lojas caíram 0,6%.



