A pressão sobre o abastecimento de diesel no Brasil leva a indústria de biodiesel a defender o aumento da oferta nacional. Produtores afirmam ter capacidade ociosa para atender, principalmente, máquinas agrícolas no início da safra, em um momento de importações mais difíceis e relatos de atrasos no Rio Grande do Sul.
O Brasil ainda depende do exterior para aproximadamente um quarto do diesel consumido. A alta dos preços internacionais reduz a atratividade das importações e amplia a diferença em relação aos preços domésticos. A ANP e a Petrobras afirmam que o abastecimento segue normal no país, mas problemas localizados são registrados no Rio Grande do Sul durante o período de plantio.
Uso voluntário
A Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio) defende a utilização voluntária de biodiesel acima do B15, mistura obrigatória atualmente. Desde julho, tratores, máquinas agrícolas, frotas cativas, transporte público e alguns outros segmentos podem usar percentuais superiores sem autorização prévia da ANP, desde que comuniquem a agência.
“O setor tem capacidade ociosa e existe condição de atender demandas do setor do agronegócio sem afetar o início da produção da safra”, afirma Jerônimo Goergen, presidente da Aprobio. A associação trabalha com a Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs) e o governo estadual para estimular a adesão.
Porto Alegre e Passo Fundo já têm experiências com o uso voluntário. A Aprobio pretende ampliar a iniciativa. A associação informa que reúne 59 usinas distribuídas por 14 estados.
A entidade também defende elevar a mistura obrigatória de B15 para B17. Pela estimativa da associação, os dois pontos percentuais adicionais representariam cerca de 125 mil metros cúbicos de biodiesel brasileiro por mês, volume equivalente a três ou quatro navios de diesel importado. Para setembro, a Aprobio estima a chegada de cerca de 838 mil metros cúbicos de diesel importado.
A alteração nacional ainda depende de avaliações técnicas do governo. Os testes analisam misturas superiores a 15%, chegando a B25, antes de uma decisão sobre o percentual obrigatório. Enquanto isso, Goergen afirma que a prioridade é estimular o uso voluntário conforme a autorização da ANP.



