Michael Burry, investidor que antecipou o colapso do mercado imobiliário americano em 2008, passa a considerar que a possível desvalorização das ações ligadas à inteligência artificial pode ocorrer já em 2027. Antes, ele trabalhava com a hipótese de uma queda até 2028.
A tese de Burry se apoia, em parte, na dependência do setor em relação à continuidade dos investimentos. Se as empresas reduzirem os recursos destinados à inteligência artificial, a demanda que sustenta parte do crescimento do mercado pode perder força.
Em publicação no X na terça-feira, 29, o investidor também questionou os planos de abertura de capital da OpenAI e da Anthropic. Para ele, uma queda acentuada dos mercados que impedisse os IPOs das duas companhias seria benéfica para a humanidade. Burry avalia que as empresas poderiam provocar a destruição de trilhões de dólares em capital.
Financiamento circular
O debate sobre a sustentabilidade financeira da inteligência artificial inclui o chamado financiamento circular. O conceito envolve relações de financiamento entre empresas e investidores que movimentam recursos dentro do mesmo ecossistema. Esse fluxo pode criar uma percepção de demanda maior do que a realidade, quando parte do dinheiro circula entre empresas que atuam simultaneamente como fornecedoras e clientes.
A Nvidia aparece como exemplo dessa dinâmica. A empresa fornece os chips usados na expansão da inteligência artificial e também investe em companhias do segmento. Dessa forma, recursos destinados ao setor podem retornar, direta ou indiretamente, aos próprios fornecedores.
Trajetória
Médico de formação e gestor de fundos de hedge, Burry construiu sua reputação ao identificar riscos em títulos lastreados em financiamentos imobiliários de alto risco nos Estados Unidos e apostar contra esses ativos. A estratégia gerou ganhos quando o mercado entrou em colapso, em um episódio que contribuiu para a crise financeira internacional de 2008.
A trajetória foi retratada no livro “A Jogada do Século: A História do Colapso Financeiro de 2008”, de Michael Lewis, publicado em 2010. A história chegou ao cinema cinco anos depois, no filme “A Grande Aposta”, dirigido por Adam McKay e com Christian Bale no papel de Burry. A produção venceu o Oscar de melhor roteiro adaptado em 2016.



