A Starbucks inaugura suas primeiras lojas em Xinjiang, região da China alvo de denúncias internacionais de violações de direitos humanos contra a população uigur. As duas unidades começam a funcionar em Urumqi, capital regional: uma no Grande Bazar e outra no aeroporto internacional.
A abertura provoca reação de John Moolenaar, presidente do comitê da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos dedicado à China. O congressista classifica a expansão como uma decisão “moralmente falida” e pede o fechamento das lojas.
Moolenaar afirma que a presença da empresa associa uma marca americana às políticas do Partido Comunista Chinês para a população uigur. Ele cita denúncias de detenções em massa e repressão cultural e religiosa na região.
O Congresso Mundial Uigur, organização de defesa dos direitos da minoria, também critica a decisão e acusa a Starbucks de ignorar a situação dos direitos humanos em Xinjiang. O grupo destaca as denúncias de trabalho forçado.
Posição da China e expansão dos negócios
Em relatório publicado em 2022, o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos conclui que foram cometidas graves violações contra uigures e outras comunidades predominantemente muçulmanas. O documento afirma que a extensão das detenções arbitrárias e discriminatórias poderia configurar crimes contra a humanidade.
O governo chinês rejeita as acusações. O Ministério das Relações Exteriores da China classifica como falsas as alegações americanas de repressão e afirma que Xinjiang tem estabilidade social, crescimento econômico e harmonia religiosa. O governo também diz que continuará oferecendo oportunidades de investimento para empresas estrangeiras.
A Starbucks não responde aos pedidos de comentário. Em publicação anterior no WeChat, Liu Wenjuan, presidente-executiva da companhia na China, afirma que a rede continuará investindo em Xinjiang.
A abertura ocorre durante uma reestruturação das operações chinesas da empresa. Em abril deste ano, a Starbucks conclui uma joint venture com a Boyu Capital, que passa a deter 60% da operação no país. A estrutura administra cerca de 8 mil cafeterias na China.
A expansão acontece ainda enquanto o governo chinês investe para estimular a economia e o turismo em Xinjiang, que está entre as regiões chinesas de crescimento mais acelerado em 2025.



